23 de Fevereiro de 2020
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As dez cidades com mais bicicletas no mundo: o Rio é a sétima

Copenhague, na Dinamarca, é a cidade mais "bike friendly" do mundo, segundo lista

O site Mental Floss fez uma lista das cidades mundiais mais "amigas" das bicicletas, baseando-se principalmente no volume de pessoas que usam as "magrelas" para se locomover. Entre as dez primeiras posições, há apenas uma cidade latino-americana: o Rio de Janeiro, na sétima posição, onde há de mountain bike (MTB) até uso urbano, e duas nos EUA (Boulder e Oregon). A maior parte da seleção é composta por capitais europeias, onde o uso das bikes tem se tornado cada vez maior.

São Paulo pode entrar nessa lista em breve: a prefeitura anunciou na semana passada que vai construir mais 173 km de ciclovias até o final do ano que vem, apesar de extinguir 25 trajetos atuais e remanejar outros 12 km. A capital paulista deverá chegar ao final do projeto com 676 km de ciclovias, segundo as autoridades. A cidade conviveu em 2019 com polêmicas envolvendo patinetes e MTB elétricas.

Muito da inspiração paulistana vem de Bogotá, cuja Cicloruta -- as vias livres para bikes aos finais de semana -- já é considerada a maior rede cicloviária da América Latina.

A seguir, o AssisCity conta mais sobre as cidades mais ciclistas do planeta.

10. Budapeste, Hungria

Os moradores de Budapeste, na Hungria, podem circular com segurança por cerca de 200 km da cidade usando suas bicicletas. Esse é o tamanho da malha cicloviária, que liga estações de metrô, o centro histórico e os parques públicos. A capital húngara também oferece vários tours guiados, incluindo alguns que acabam em bares e restaurantes típicos.

9. Barcelona, Espanha

Barcelona está se tornando, de forma gradativa, um lugar mais agradável aos ciclistas. Os catalães estão expandindo a malha cicloviária e oferecendo bicicletas para aluguel por hora aos moradores -- já é um dos maiores programas de compartilhamento de bikes do mundo. A segurança também tem sido uma prioridade: as autoridades recentemente instituíram medidas para diminuir o trânsito de carros, como rodízio e um projeto de pedágio urbano, que não seria cobrado dos ciclistas.

8. Estrasburgo, França

A pequena cidade de Estrasburgo, na fronteira entre a França e a Alemanha, é um dos melhores lugares para se andar de bike por causa de sua beleza. Segundo dados oficiais, 8% da população se movimenta principalmente com bicicleta pelas ruas medievais e pelas vielas de pedra que, no inverno, se enchem de turistas. A ideia das autoridades é que, até 2025, o número de ciclistas dobre -- chegando a 17%.

7. Rio de Janeiro, Brasil

O Rio de Janeiro entrou na onda das bicicletas em 1992, quando, por ocasião da Rio 92, construiu suas primeiras ciclovias. Hoje, a cidade tem uma grande população ciclista, como se pode ver no sistema de compartilhamento: há 60 estações e 600 bikes distribuídas pelo mapa urbano, oferecendo o serviço por R$ 10 por período indeterminado de aluguel. Nos finais de semana, algumas ciclovias que beiram o mar, como em Copacabana, se enchem de bikes e patinetes.

6. Tóquio, Japão

Cerca de 14% de todos os moradores de Tóquio costumam andar de bike todos os dias. Embora não seja um número tão expressivo, ele ganha força se se imaginar que a capital japonesa é uma das metrópoles mais populosas do mundo, com 9,2 milhões de habitantes, segundo o governo do país. Quem prefere circular por meio das duas rodas tem uma ampla malha de ciclovias, estações de aluguel e até roteiros turísticos -- sem contar que o Japão é conhecido por ter criado muitos modelos de bicicletas que superaram o teste do tempo.

5. Montreal, Canadá

Montreal, no Canadá, tem impressionantes 600 km de ciclovias -- quase duas vezes a cidade de Copenhague, na Dinamarca, por exemplo. Na primavera, elas são parte da cultura metropolitana, porque as pessoas montam barracas de comidas e bebidas ao longo dos caminhos para atrair os ciclistas. Além disso, a metrópole canadense tem um festival anual de bicicletas, em que ciclistas de todo mundo e de todas as idades fazem um tour conjunto pelas ruas e avenidas.

4. Boulder, EUA

Boulder, no estado do Colorado, nos EUA, ficou famosa pelo nível de detalhamento das ciclovias: há caminhos pelas ruas, pistas de contrafluxo, ciclovias designadas, acostamentos pavimentados e com piso mais suave, para as crianças. Há também um programa de registro das bicicletas para impedir roubos.

3. Portland, EUA

Apesar de Boulder, a cidade estadunidense que chega mais perto da Europa é Portland, em Oregon. As autoridades estão tentando há alguns anos melhorar o sistema urbano de circulação em duas rodas. Recentemente, o governo também distribuiu mapas de ciclovias e de projetos para a população, além de informações de segurança e maneiras de "navegar" pelas ruas. O compartilhamento de bikes também é considerado um dos mais ecológicos do planeta, muito por causa da redução do excesso de estações. Há até amenidades nas ruas e calçadas, como cadeados, aulas de bicicleta e roteiros turísticos.

2. Amsterdã, Holanda

As autoridades de Amsterdã, na Holanda, dizem que há 800 mil bicicletas espalhadas pela cidade atualmente -- o que, se for real, significa que há mais bikes do que pessoas. "As pessoas aqui usam pra trabalhar, pra pegar as crianças na escola, pra ir ao mercado. Quem está visitando a cidade sempre quer ter uma forma de explorá-la em duas rodas, e existe toda uma rede para dar conta dessa demanda", diz Vitor Idio, brasileiro que vive há dois anos em Amsterdã.

1. Copenhague, Dinamarca

Copenhague é a cidade mais "bike-friendly" do mundo, segundo o Mental Floss. As crianças são ensinadas desde cedo como andar em duas rodas e, assim, mantém o costume que hoje abrange metade (50%) da população. Além disso, 35% dos moradores vão e voltam do trabalho usando bike. Em 2018, os ciclistas tinham à disposição 390 km de ciclovias, e a Grande Copenhague recentemente ganhou uma grande ciclovia -- conectando a cidade com o subúrbio.

Sergio Rodriguez - Bike estacionada em Copenhague, na Dinamarca, onde metade da cidade se locomove desta forma
Bike estacionada em Copenhague, na Dinamarca, onde metade da cidade se locomove desta forma


Divulgação/ Foto: Sergio Rodriguez
Vinícius Mendes
Vinícius Mendes é jornalista e cientista social.
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