O ano de 2026 marca oficialmente o fim de uma era na comunicação brasileira. A partir de janeiro, os tradicionais orelhões — telefones públicos que durante décadas foram símbolo das cidades e essenciais para a população — começam a ser retirados definitivamente das ruas de todo o Brasil. Em Assis, ainda existem 68 orelhões ativos, todos pertencentes à Telefônica/VIVO, segundo dados da Anatel.

Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações, cerca de 38 mil aparelhos ainda permanecem instalados no território nacional. Desse total, mais de 33 mil estão ativos, enquanto aproximadamente 4 mil encontram-se em manutenção. O processo de retirada ganhou força após o encerramento, em 2025, das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos orelhões no país.

A extinção, no entanto, não ocorrerá de forma imediata em todos os municípios. Já em janeiro de 2026, tem início a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados, enquanto os telefones públicos ativos só deverão ser mantidos em cidades ou regiões onde não há cobertura de telefonia móvel, e apenas até 2028.

A redução dos orelhões vem acontecendo gradualmente ao longo dos últimos anos. De acordo com a Anatel, em 2020 o Brasil ainda contava com cerca de 202 mil aparelhos espalhados pelas ruas, número que caiu drasticamente com a popularização dos celulares e o avanço das tecnologias digitais.

Como contrapartida à desativação definitiva do serviço, a Anatel determinou que as empresas responsáveis redirecionem os recursos antes destinados aos orelhões para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, setores que hoje concentram a maior parte da demanda por comunicação no país.

Durante décadas, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000, os orelhões foram fundamentais para a comunicação dos brasileiros, garantindo acesso telefônico em praças, terminais rodoviários, bairros afastados e áreas sem telefonia residencial. Agora, com a retirada gradual dos aparelhos, os telefones públicos passam definitivamente para a história, encerrando um capítulo marcante da vida urbana no Brasil.

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