Há mais de 20 anos, a CoocAssis faz parte da rotina de Assis e se tornou peça fundamental na gestão dos resíduos recicláveis do município. Em parceria com a Prefeitura, a cooperativa organiza e executa a coleta seletiva em toda a cidade, garantindo não apenas a preservação do meio ambiente, mas também geração de renda, inclusão social e sustento para dezenas de famílias com 120 cooperados. Desse total, 30 atuam diretamente na coleta de lixo porta a porta.
Outros cooperados atuam na coleta seletiva, que é realizada por cinco caminhões, cada um com quatro trabalhadores: um motorista e três ajudantes. O restante da equipe permanece na sede da cooperativa, realizando a triagem dos materiais recicláveis.


FOTO: Portal AssisCity
“No barracão, o material passa pela esteira, que tem 22 bocas, com 11 cooperados de cada lado fazendo a separação. Depois, o material vai para a prensa, onde é preparado para comercialização”, explica Sandra Carvalho da Silva, diretora administrativa cooperada e catadora, em entrevista ao Portal AssisCity.
Além do valor garantido pelo contrato com a Prefeitura, a renda dos cooperados é complementada com a venda dos materiais recicláveis. “A comercialização permite que a gente tenha um salário melhor, porque esse material tem valor”, destaca.
Adesão ainda é o principal desafio
Apesar de a coleta seletiva estar implantada em 100% dos bairros de Assis, a adesão da população ainda é um dos principais desafios enfrentados pela cooperativa. Segundo Sandra, menos de 60% dos moradores fazem a separação correta dos resíduos.
“Esses 40% que ainda vão para o lixo poderiam vir para a cooperativa. Se viessem, a gente conseguiria gerar cerca de mais 10 postos de trabalho”, explica.
Ela reforça que a destinação correta não é jogar o material reciclável no lixo comum, em terrenos baldios ou nas calçadas, mas sim separá-lo corretamente e disponibilizá-lo para a coleta seletiva ou doá-lo a catadores.


FOTO: Portal AssisCity
Sandra também faz um apelo a comerciantes e restaurantes, principalmente em relação ao descarte de óleo de cozinha usado. “O óleo pode ser armazenado em garrafas PET e doado para a cooperativa. Isso também é destinação correta”, orienta.
Impacto social e valorização do trabalho
Para além do aspecto ambiental, Sandra destaca o impacto social da cooperativa na vida dos trabalhadores. Segundo ela, a CoocAssis oferece condições mais dignas do que muitas outras cooperativas da região.
Ela cita o exemplo de dona Eva, cooperada que veio de outra cidade. “Ela contou que o trabalho que fazia antes era muito mais pesado e que o salário não chegava a um mínimo. Aqui, ela se adaptou muito bem e conseguiu uma condição melhor”, relata.
“Isso mostra o quanto esse trabalho transforma vidas. Separar o reciclável do lixo não é só uma questão ambiental, é garantir renda e dignidade para muitas famílias”, conclui.


FOTO: Portal AssisCity
História
Segundo Sandra, a história da CoocAssis começou em 2001, quando catadores que atuavam de forma individual decidiram se organizar coletivamente. “Nós éramos catadores individuais, eu e minha família. Aí, junto com a professora Ana Maria e o professor Carlos Ladeia, ambos da Unesp, resolvemos integrar esses catadores e abrir uma cooperativa”, relembra.
Com apoio da Prefeitura, a cooperativa passou a atuar no Parque de Reciclagem, onde funcionava a coleta de lixo do município. Inicialmente, o trabalho era feito em conjunto com servidores públicos. Pouco tempo depois, surgiu a coleta seletiva em Assis.
“Em três meses de trabalho, conversando com o poder público, implantamos a coleta seletiva. Em 2005, cerca de 60% da cidade já tinha coleta implantada. Hoje, Assis tem 100% de coleta seletiva”, afirma.


FOTO: Portal AssisCity
Em 2008, a cooperativa deixou de realizar a triagem do lixo comum, passando a atuar exclusivamente com recicláveis, em cumprimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305), que proíbe o catador de mexer diretamente no lixo orgânico.
