A felicidade está em um algodão-doce...

Por Gustavo Pilizari

E as pessoas eram felizes como nunca antes – feito um belo quadro de cores múltiplas a contemplar cada intenção escondida nos esboços tímidos da vida…

E a criança corre ligeira no parque cruzando pernas e saltos, no intuito de chegar à direção do vendedor de balões – o balão é uma felicidade para uma criança; seu sorriso largo faltando dentes diz tudo!

Duas finas taças são erguidas ao rumo do sol no jardim – estão festejando o reencontro de décadas (no chão, migalhas de pão restantes de uma partilha de odores campos e singelas constatações de que a felicidade mora no sereno rosto do próximo)…

Jovens cruzam em disparada com seus skates na busca de sentir a adrenalina escondida em seus corpos – giram as nuvens e contornam o sol; estão gritando e são felizes como nunca poderiam ser. Deveríamos poder guardam numa caixinha estas emoções…

No rádio ligado próximo ao tronco de uma grande árvore, uma jovem escuta sua canção preferida (ela grita alto, diz que nada há de melhor do que sentir as borbulhas de sua corpo ao ouvir o ritmo contrastante de Lady Gaga)… “eu me sinto tão bem! Sinto como se fosse eterna” – esboçando um longo sorriso em seu rosto que toca o gramado fresco…

A pipoca do pipoqueiro nunca esteve tão crocante, gostosa e delicadamente salgada como hoje… as pessoas fazem fila enquanto jogam conversa fora sobre assuntos do cotidiano televisivo (e elas nunca foram tão felizes ao esperar por receber um saquinho de pipoca numa calorosa tarde de domingo no parque). “Quem quer pipoca doce-colorida?” – grita o pipoqueiro enquanto uma jovem senhora desfila os lábios tingidos de um azul intenso indicando a pipoca colorida que já comia e a fazia feliz… “eu quero mais pipoca”, diz a senhora levantando seu dedo trêmulo…

Alguém longe dali rabisca um papel branco enquanto ouve, ao longe, o som da TV que anuncia: “as pessoas são mais felizes hoje, segundo dados de pesquisadores”… E de olhos bem abertos, levanta sua mão para acenar a vida que passa ali fora, numa gostosa tarde de domingo, onde pássaros dançam nas árvores produzindo cadências de chiados; onde crianças soltas descobrem a vida com um balão (o balão foi solto e está seguindo um destino desconhecido). A criança de macacão vermelho sorri e pede para que seus pais acenem a despedida do balão… Outros descobrem no reencontro que nunca estiveram longe (no coração sempre restou a lembrança)…

Outros liberam a felicidade em rodas de skate; outros dormem ao ouvir sua predileta canção. A senhora dos lábios azuis agora lambuza seus dedos com uma nuvem de algodão-doce, que encobre seu rosto. Alguém pega o lápis e risca o papel branco e escreve: a vida se apresenta em sua simplicidade, e eu não sabia disso…

Gustavo Pilizari é de Quatá e jornalista e mestrando em Comunicação pela Unimar

msn: [email protected]

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