Hoje pela manhã, ao acompanhar as notícias de Assis, deparei-me com duas manchetes publicadas lado a lado.

A primeira informava: “Prefeitura anuncia início de instalação da tirolesa no Parque das Águas”.

A segunda dizia: “Líder do Governo na Câmara é contra a instalação de tirolesa e pede que prefeita abandone o projeto”.

A leitura das duas notícias despertou uma reflexão interessante.
Não porque representavam um embate entre governo e oposição. Isso é esperado e faz parte da democracia. O que chamou atenção foi o fato de as posições surgirem dentro da própria base governista.
De um lado, a administração municipal defendendo o projeto com argumentos técnicos, estudos de engenharia e protocolos de segurança.
Do outro, o líder do governo na Câmara manifestando publicamente sua discordância e pedindo a interrupção da iniciativa.
E talvez seja justamente aí que a discussão deixe de ser sobre uma tirolesa.
Ela passa a tratar de algo maior: a forma como uma cidade toma decisões e define suas prioridades.
De um lado, existe a visão de que é possível inovar, criar novos atrativos e transformar espaços públicos utilizando conhecimento técnico e planejamento.
Do outro, existe a compreensão de que determinados riscos, ainda que minimizados por normas e procedimentos, nunca desaparecem por completo.
São duas formas legítimas de enxergar a responsabilidade pública.
E quando elas surgem dentro do mesmo governo, algumas perguntas se tornam inevitáveis.
A divergência revela independência de pensamento e maturidade política?
Ou revela que nem mesmo dentro da administração existe convicção suficiente sobre o caminho escolhido?
Talvez nenhuma dessas respostas possa ser dada agora.
A história costuma julgar as decisões públicas com mais precisão do que os debates do presente. Algumas ideias consideradas ousadas transformam-se em exemplos de sucesso. Outras acabam lembradas como escolhas que poderiam ter sido evitadas.
Por enquanto, existe apenas a dúvida.
E talvez seja essa a questão que mereça permanecer na mente do leitor:
Quando uma prefeita acredita que deve avançar e seu próprio líder na Câmara acredita que deve recuar, quem está enxergando o futuro com mais clareza?
Quem está certo?
Ou será que essa é uma resposta que apenas o tempo será capaz de oferecer?

Rodrigo de Souza: Governar é decidir. Fiscalizar é questionar. Compreender exige ouvir os dois lados.

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