Assis vive um período de avanço das corridas de rua. O que antes era um evento esporádico, hoje faz parte do calendário mensal da cidade e da região. Nos últimos dez anos, o número de provas aumentou, o perfil dos participantes mudou e a quantidade de atletas inscritos cresceu de forma impressionante.
Quem acompanha essa transformação de perto é o corredor amador e organizador de corridas Mauri Bueno, de 57 anos. Ele lembra que, quando começou, as provas reuniam cerca de 200 atletas. Atualmente, alguns eventos em Assis chegam a 1.500 participantes.

“Antes a gente fazia uma corrida por mês e precisava viajar para cidades como Londrina, Bauru e Marília. Hoje não. As provas se regionalizaram e quase todo fim de semana tem corrida aqui ou em cidades próximas”, conta Mauri.
Segundo ele, Assis passou a atrair corredores não só da cidade, mas também de municípios da região, como Cândido Mota, Cruzália, Palmital, Pedrinhas Paulista, Tarumã, Florínea, Maracaí, Quatá, Rancharia, Ourinhos e até de algumas cidades do Paraná. Esse crescimento fez com que o calendário ficasse cheio. “Hoje temos média de duas ou três provas por mês. Anos atrás, eram cinco ou seis no ano inteiro”, explica o corredor.
Outro fator importante para o crescimento das corridas é a presença das equipes e assessorias esportivas, que ajudam a levar mais gente para as provas. Amauri cita eventos em que equipes trouxeram mais de 100 ou até 200 atletas de uma só vez. “Elas dão um colorido especial, é bonito de ver. Tem gente sedentária, atleta experiente, todo mundo junto. É um esporte democrático”, afirma Mauri.
Grupo de corrida gratuito cresce no Parque Buracão

O grupo de corrida assisense Captom Running, que começou por acaso em 2011, no Parque Buracão, acompanha esse crescimento e ajuda pessoas a melhorarem a qualidade de vida. A iniciativa surgiu quando o treinador Cleiton Alessandro, decidiu levar um amigo que estava com depressão para correr. Com o tempo, mais pessoas se juntaram, formando um grupo que hoje conta com cerca de 200 participantes, sendo pelo menos, 120 ativos em competições.
Para quem deseja fazer parte, as corridas são realizadas todos os sábados às 8 horas da manhã e são gratuitas. O grupo é uma oportunidade para quem quer se exercitar e socializar, tornando a corrida acessível a todos.
A corrida para todos
Durante a entrevista com Mauri Bueno, ele explicou que o perfil do corredor também mudou. Antes, a corrida era vista como algo restrito a atletas magros e de alto rendimento. Hoje, é diferente. “Você vê pessoas de todas as idades e corpos. Tem gente que vai para competir, mas a maioria vai para participar, caminhar, tirar foto, se divertir”, conta o atleta amador.
Ele lembra ainda, que o esporte ficou mais organizado e seguro. As provas passaram a exigir autorização da Federação Paulista, com regras como ambulância, banheiros, percurso sinalizado e guarda-volumes. “Hoje o atleta tem mais segurança. Antigamente era tudo mais rústico”, lembra Mauri.

Para ele, o crescimento ainda não chegou ao fim. “Teve um boom muito grande e acho que ainda vai crescer muito mais. É saúde, é qualidade de vida. As pessoas perceberam que é possível”, conclui.
Assim, a corrida deixou de ser apenas uma atividade esportiva e se transformou em um movimento que está reunindo pessoas em torno de saúde, lazer e convivência. Ocupando cada vez mais espaço nas ruas e no coração da população.










