A recente matéria sobre o fechamento do Parque da Juventude, em Assis, sem prazo para reabertura, acende um alerta importante que vai além de um fato isolado: a gestão está falhando na forma que vem cuidando dos nossos espaços públicos de lazer.
O parque, inaugurado em 2019 e localizado em uma área ambiental relevante, hoje se encontra fechado devido à deterioração da pista de skate e à falta de manutenção. Mais do que um problema estrutural, o cenário revela algo ainda mais preocupante: a ausência de continuidade no cuidado com aquilo que já foi entregue à população.
Relatos de moradores apontam para o abandono do espaço, com mato alto, ausência de limpeza e até riscos à segurança, como o aparecimento de escorpiões. Um local que antes reunia famílias, jovens e crianças, hoje se transforma em um símbolo do que acontece quando o poder público deixa de olhar com atenção para aquilo que já existe.
E esse não é um caso isolado.
Outro exemplo recente é o ‘Parque das Águas’, no Colinas do Eldorado, inaugurado no final de 2024 com proposta moderna, estrutura completa e grande potencial de uso comunitário. Um espaço pensado para convivência, lazer e integração com a natureza, que hoje também sofre com sinais de abandono e falta de manutenção.
Diante desses exemplos, é inevitável retomar uma reflexão que já vem sendo feita há algum tempo quando escrevi um artigo sobre o ‘Parque das Águas’, próximo ao terminal rodoviário de Assis: a cultura de descontinuidade na gestão pública precisa ser superada.
Ainda é comum observar que, a cada troca de governo, projetos e espaços criados por administrações anteriores acabam sendo deixados de lado. E quem perde com isso não é o gestor anterior, é a população.
Assis precisa amadurecer nesse aspecto. Gestão pública não pode ser guiada por vaidades ou disputas de legado. O compromisso deve ser com a cidade e com as pessoas. Se uma administração anterior entregou um espaço, cabe à atual cuidar, manter e, se possível, melhorar. É assim que se constrói uma cidade forte: com continuidade, responsabilidade e visão de longo prazo.
É evidente que existem desafios orçamentários. Sempre existiram. Mas a função da gestão pública é justamente enfrentar esses desafios, buscar recursos, articular com os governos estadual e federal e viabilizar soluções. Não se trata de cobrar grandes obras neste momento, mas sim de garantir o básico: manutenção, cuidado e funcionamento dos espaços já existentes.
Porque, no fim das contas, não se trata de concreto, iluminação ou equipamentos.
Se trata de pessoas.
De famílias que buscam um lugar para estar juntas. De jovens que precisam de espaços seguros para praticar esporte. De crianças que merecem crescer em uma cidade que ofereça qualidade de vida.
Este é um olhar de quem vive Assis no dia a dia, que caminha pelos bairros, que conversa com a população e que acredita no potencial da cidade. Um olhar de quem sonha com uma Assis melhor, não apenas para hoje, mas para as próximas gerações.
Para isso, precisamos de algo simples, mas essencial: governabilidade real, continuidade de ações e, acima de tudo, menos ego.
Assis não precisa de disputas.
Assis precisa de compromisso.
Rodrigo de Souza: Publicitário, mestre em Comunicação Cultura e Arte, articulador social com atuação em iniciativas voltadas ao fortalecimento de políticas públicas, desenvolvimento comunitário e valorização dos espaços públicos.










