Os direitos trabalhistas, ao longo da história, foram conquistados à custa de muita luta, sangue e suor da classe operária. Em regra, a classe dominante nunca esteve disposta, por mera caridade ou altruísmo, a partilhar sua riqueza com a grande massa trabalhadora.

Durante a Revolução Industrial, as máquinas a vapor literalmente moíam pessoas. Crianças eram mutiladas e submetidas a jornadas exaustivas, sem que isso provocasse maiores constrangimentos aos grandes proprietários e industriais da época.

A Igreja, sempre atenta aos ventos da mudança social, publicou a Encíclica Rerum Novarum, na qual o Papa Leão XIII chamou a atenção para a necessidade de proteção dos trabalhadores e trabalhadoras, reafirmando a dignidade da pessoa humana como um dom de Deus.

No Brasil, a realidade não foi diferente, especialmente em uma sociedade marcada por profundas raízes escravocratas, patriarcais e coloniais. Coube aos movimentos sindicais e populares protagonizar a luta por direitos como o 13º salário, as férias remuneradas, o atestado médico sem perda salarial e a previdência social. Trata-se de um processo histórico de construção de consciência coletiva e de consenso social. Afinal, ainda hoje, muitos brasileiros encontram dificuldade em reconhecer a qual classe social pertencem.

É nesse contexto histórico de lutas que ganha relevância a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais sobre segurança e saúde no trabalho. Entre seus avanços mais importantes está a inclusão da gestão dos riscos psicossociais, determinando que instituições públicas e privadas realizem o mapeamento de fatores que possam comprometer a saúde mental de seus trabalhadores.

A grande questão, porém, permanece: como mapear fatores de risco em organizações onde o estresse, o burnout e o assédio moral fazem parte do próprio modus operandi de determinados modelos de gestão?

Promover essa mudança organizacional exige uma reflexão madura sobre as relações humanas no ambiente de trabalho, os fatores internos e externos que influenciam o cotidiano institucional, bem como os interesses e motivações que movem cada personagem dessa complexa comédia humana — por vezes tão próxima dos círculos descritos por Dante.

No mais, a luta continua. E continuará sendo necessária enquanto a dignidade do trabalhador e da trabalhadora depender menos dos discursos e mais da permanente vigilância da sociedade.

Efren Saqueto é Assistente Social, tem MBA Gestão de Políticas Sociais e trabalha com famílias, servidor público há 11 anos na Prefeitura de Cândido Mota

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