Falta apenas um dia para Assis voltar a respirar rock em alto volume. Depois de anos longe do calendário cultural da cidade, o Rock Cidade 2026 retorna nos dias 15 e 16 de maio carregando aquela atmosfera clássica dos festivais que marcaram gerações.

Com 12 bandas locais e regionais no line-up e show nacional de Di Ferrero fechando a primeira noite, o evento transforma a Praça da Bandeira em território oficialmente dominado pelas guitarras. Realizado pela Prefeitura Municipal de Assis, por meio da Secretaria de Cultura, o festival terá entrada solidária mediante doação de um litro de leite, além de espaço para comércio local e brinquedos gratuitos para crianças.

E no meio dessa mistura de reencontro, nostalgia e resistência da música independente, o Portal AssisCity apresenta a sétima banda a subir ao palco no sábado, 16 de maio, às 23h: a Banda do Jorge.

Se existe uma palavra que ajuda a definir o grupo, talvez seja pluralidade.

A Banda do Jorge – Foto: Divulgação

Em conversa com o Portal AssisCity, o baixista e violonista Bruno Sposito contou que a Banda do Jorge nasceu da união natural entre diferentes trajetórias musicais que já circulavam há anos pela cena regional.

“A Banda do Jorge é um produto final de uma soma de projetos anteriores com mais de uma década de estrada que se encontraram para formar algo maior. Anteriormente como RadioVox, rebatizamos o projeto para adequar a nossa proposta de identidade e compreensão artística”, explicou.

Uma identidade sem rótulos

E essa mudança de nome não veio apenas como estética. Ela acompanha também uma proposta musical que foge completamente da ideia de se prender a um único rótulo.

O som da Banda do Jorge parece funcionar como uma grande viagem emocional pela música brasileira e internacional, sempre com espaço para interpretação intensa, presença de palco e aquela sensação de que cada canção carrega uma história.

“Nosso estilo reflete essa pluralidade, permitindo-nos transitar por diversos horizontes no universo musical com atitude e poesia. É uma sonoridade que abraça diferentes gêneros em uma constante viagem musical por temas que marcaram a vida das pessoas”, contou Bruno.

E talvez seja justamente essa liberdade musical que torne o projeto tão interessante ao vivo.

A Banda do Jorge – Foto: Divulgação

Influências que vão de Ney Matogrosso ao R.E.M.

As influências da banda não obedecem lógica linear. Elas vão da teatralidade visceral de Ney Matogrosso à densidade poética de Chico Buarque, passando pela profundidade emocional de Renato Russo e pela identidade contemporânea de Liniker e Johnny Hooker.

O repertório afetivo da banda também conversa com nomes como Zé Ramalho, ABBA e R.E.M.

“Cada integrante traz um pouco da sua bagagem para a composição do que são as influências da banda. Temos um apreço em comum por artistas que transmitem emoção, pelas letras e pela performance”, afirmou Bruno.

O desejo autoral da banda

Embora a conexão com o público ainda esteja sendo construída principalmente pelos shows, a Banda do Jorge já carrega um forte desejo autoral pulsando nos bastidores. “Nosso trabalho autoral já possui um embrião forte e é nossa prioridade num futuro próximo. Somos um coletivo de artistas com identidades e projetos próprios que convergem na Banda do Jorge”, explicou.

Segundo Bruno, muitas composições feitas em outras fases da vida dos integrantes aguardam agora uma nova roupagem dentro do projeto atual. “Estamos em uma fase de conexão com o público, revelando nossa essência através das apresentações para, em breve, darmos voz ao nosso trabalho autoral que já pulsa e aguarda o momento certo de ser compartilhado.”

A força da cena musical de Assis

Em uma cidade historicamente ligada à música universitária e à cena alternativa, a banda também enxerga o Rock Cidade como um espaço fundamental para manter viva a circulação cultural da região.

“Assis com certeza é um dos celeiros de grandes músicos da nossa região. Esse tipo de festival, acessível e com bandas de diferentes estilos e gerações, é importantíssimo para incentivar a formação de novos artistas e projetos”, avaliou.

Os desafios da música independente

E enquanto a música independente segue tentando sobreviver em meio à lógica acelerada dos algoritmos, a Banda do Jorge parece ter consciência absoluta dos desafios atuais da cena.

“Conseguir uma gota de atenção em um oceano cheio de possibilidades, que nem sempre diferencia o que é de bom gosto pela qualidade do trabalho, é um dos maiores desafios hoje”, disse Bruno.

Segundo ele, embora o talento continue essencial, o universo digital transformou completamente a lógica de relevância dentro da música. “Ter relevância como banda hoje se resume muito a algoritmos e posicionamento digital. Nada substitui o talento, mas nem sempre a música boa recebe o reconhecimento merecido.”

O significado de tocar no Rock Cidade

Talvez justamente por isso o convite para tocar no Rock Cidade tenha sido recebido como um reconhecimento importante da trajetória construída até aqui. “Estamos muito honrados e isso não deixa de ser um reconhecimento do nosso trabalho”, afirmou.

E para quem pretende colar na Praça da Bandeira no sábado à noite, a promessa é simples: um show feito para ser vivido intensamente. “Muita energia, muita troca e um show vibrante que com certeza todos vão cantar e tocar junto.”

A formação atual da Banda do Jorge conta com Jorge Gomes nos vocais, Marília Galletti na bateria, Carlos Ramos na guitarra e Bruno Sposito no violão e baixo.

Portal AssisCity segue com a série especial apresentando as bandas que vão agitar o festival, revelando histórias, influências e a força da cena musical de Assis e região.

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