02 de Julho de 2022
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Cursinho sobre como (não) ter controle sobre a sua vida

COLUNISTA - Poliana Possatti

O ser humano tem a falsa sensação que está no comando de sua vida. Sentir que pode estar com o controle em mãos é um prazer indescritível. Você pode criar mil listinhas de metas e objetivos a serem alcançados para a sua rotina de amanhã, para o próximo final de semana ou até mesmo para o ano que vem. Mas não é bem assim que o mundo gira.

Alguns descobrem isso mais cedo, outros tardiamente. Mas existe um cursinho que te ensina que você não tem controle de nada na sua vida. As pessoas o chamam de Maternidade. Ah, esse te ensina direitinho que você jamais controla o dia de amanhã, ou até mesmo a próxima hora, quando você acha que está tudo bem e de repente se depara com um termômetro com 39 graus de febre.

Este curso possui módulos que vão do básico ao avançado. No nível básico você entende logo no começo que não pode seguir com coisas simples e necessárias da sua rotina como almoçar no horário ou tomar um banho. Passa por níveis que jamais pensou em estar. Cancela reuniões importantes de trabalho, consultas médicas e a cervejinha pra relaxar com as amigas que já foi marcada 59 vezes por que naquele dia a criança estava enjoadinha.

Percebe que tarefas que antes consideradas fáceis se tornam complexas e de difícil acesso como ir à academia, fazer supermercado e acredite: arrumar o cabelo. Neste último considere o coque. Um aliado de todas as mulheres assim que iniciam o nível intermediário do curso.

Divulgação - Poliana Possati, jornalista - Foto: Divulgação
Poliana Possati, jornalista - Foto: Divulgação


Chegamos ao nível avançado onde você planeja durante meses aquele compromisso inadiável. Almoço e lanches ok, fraldas ok, rotina das próximas 6 horas ok. A troca de roupas está em cima da cômoda. Deixa a toalha de banho dela pendurada ao lado dos demais ítens de higiene. Sua casa está em ordem. A louça lavada. Membros da rede de apoio a postos que mais se parecem com o pelotão de choque do BOPE.

Você se arruma rapidamente, passa um batom e tenta se equilibrar em um salto. Pega a bolsa, as chaves do carro e houve um 'mamã'. Tenta desviar o olhar porque sabe que está atrasada e não pode dar a atenção que ela merece. Entra dentro do carro e se julga: "Que mãe sou eu?" Volta pra dentro de casa, dá um beijinho e recebe um abraço e naquele momento você sabe que é ali é o melhor lugar do mundo.

Meu Deus, o compromisso! Ela não quer te soltar e quando você consegue escapulir, aos prantos ela dá um longo berro. De longe você percebe que a garganta está vermelha e inchada. Não precisa ser pediatra pra saber que algo não está certo. Olha pro celular, pro carro e pro relógio. Não há mais o que fazer. Retira o salto e guarda a bolsa. É melhor ficar em casa.
Divulgação - Poliana Possatti
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