29 de Novembro de 2022
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Entretenimento - Colunistas

O carimbo

Por Alcindo Garcia

Imagine meu caro leitor, minha adorada leitora, como era prático o escrivão Pero Vaz de Caminha, que Pedro Álvares Cabral trouxe como assessor de imprensa. Pero Vaz de Caminha (que por questão de espaço designarei por PVC), foi o primeiro jornalista a pisar por aqui.

Além disso, foi autor da carta a D. Manuel contando sobre o descobrimento. Como bom repórter, PVC descreveu nossos usos e costumes. Reportou os primeiros contatos com os indígenas e a primeira missa em Porto Seguro. A carta de PVC é bastante detalhista. Conta que os índios não aprovaram bebida alcoólica e a "cuspiram fora", o que os isenta de futuras responsabilidades etílicas tão a gosto de um ex-presidente e ex-líder metalúrgico, tocado à pinga e a whisky. Outro dado relevante: a carta de Caminha não continha nenhum carimbo, a comprovar que o PVC era diametralmente contra a burocracia. Na caravela não consta que houvesse carimbos. Em momento algum PVC pactuou com a burocracia. Escreveu 27 laudas em sua carta a D.Manoel, não reconheceu firma, nem carimbou nada.

Vejam agora o despautério. A carta de PVC encontrada pelo guarda-mor José de Seabra e Silva em 1773, encontra-se hoje no Museu do Tombo em Lisboa e - pasmem -, com um carimbo de autenticação! Macularam a carta do PVC numa afronta à sua memória e estimularam a implantação do principal ícone da burocracia tupiniquim - o carimbo.

O PVC ao contar nossa história, jamais imaginaria o que seria deste País sem o carimbo. O Brasil é hoje um dos maiores consumidores de carimbo do mundo. Apesar da internet, os correios e os cartórios são os que mais carimbam. Autenticações, firmas reconhecidas, traslados, vem tudo carimbado. No reconhecimento de firmas não falta nem o carimbo da mãozinha, indicando o óbvio - a assinatura reconhecida.

Perceba a minha indignação, meu caro leitor, minha adorada leitora. Pero Vaz jamais imaginaria a burocracia, os trâmites, os carimbos e os custos, quando se necessita de um documento nesta terra, onde segundo ele - "em se plantando tudo dá".

Levaram tudo ao pé da letra. Plantaram até um tal de embargo infringente para tirar corruptos da cadeia e emperrar a Justiça, que nesta terra já é lenta.

*Por Alcindo Garcia, jornalista
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