29 de Setembro de 2022
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O termo "quiet quitting" e a nova calibragem do mercado de trabalho

COLUNISTA - Elisa Barbosa

Ao contrário do que se traduz, a expressão quiet quitting não significa desistência silenciosa. O termo ficou conhecido após ser utilizado nas redes sociais, incluindo fóruns como o Reddit, famoso nos Estados Unidos, e o Tiktok. Os editores, porém, argumentam que utilizar o termo quiet quitting para tratar o "novo" fenômeno dá a ideia de que os funcionários estão agindo mal, enquanto, na verdade, o termo significa cumprir com os termos de contrato de trabalho e estabelecer limites para a saúde.

A pandemia, que aumentou o desemprego e acentuou as diferenças entre as classes sociais, intensificou a discussão do assunto. Uma repostagem do LinkedIn diz que "Eles chamam de 'desistência silenciosa', mas é realmente só fazer as suas tarefas durante o horário comercial normal. As pessoas merecem um bom equilíbrio entre trabalho e vida. E não ter de responder a um email de trabalho às 10h da noite não é desistir. É apenas ser um humano normal que tem uma vida e define limites para sua saúde."

De fato, há um grande aumento nos números de casos de burnout, depressão e ansiedade ligados diretamente ligados ao trabalho, de acordo com dados da OMS. Com a tecnologia, o tempo conectado ao trabalho cresceu demasiadamente, e as pessoas têm sentido a exaustão, o que tem levado a pedidos de afastamento, à improdutividade e à apatia.

Divulgação - Elisa Barbosa, especialista em ESG - Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
Elisa Barbosa, especialista em ESG - Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal


Para se ter uma ideia, apenas em 2021, 47 milhões de estadunidenses pediram demissão de seus trabalhos, fenômeno recente conhecido como "a grande renúncia".

Além da pandemia, o conflito geracional tem fomentado o debate. Os jovens vivem uma era de intenso e necessário ativismo, como a crise climática, por exemplo, que vem causando morte e destruição por todo o globo. É mais do que natural que essa geração parta em busca de seus direitos, inclusive, em seu ambiente de trabalho.

Segundo o sociólogo suíço Johannes Siegrist, em trabalho documentado em 1996, desde então, já havia a necessidade de equilíbrio entre esforço e recompensa no ambiente de trabalho.

Grandes empresas multinacionais já vêm desenvolvendo formas de dialogar melhor com seus funcionários e atender às necessidades de ambas as partes. Tem sido comum, por exemplo, o sistema de trabalho híbrido, o atendimento terapêutico em horário de expediente, o aumento de salário, as semanas de trabalho de 4 dias, dentre outros. O segredo é encontrar o equilíbrio. Jornadas exaustivas fazem mal para todos, mas esforço também é necessário.
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Elisa Barbosa
Elisa é advogada atuante na área de migração pelo Instituto ProBono e ProMigra/USP, mestre pela UNESP e consultora em ESG - OAB/SP 365.622
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