A defesa da paciente que denunciou um psicólogo por assédio sexual durante sessões de terapia em Assis, se manifestou publicamente após o arquivamento do inquérito policial que investigava o caso e afirmou que a decisão não representa absolvição nem declaração de inocência do profissional.

Em nota assinada pelo advogado Cauê Sacomandi Contrera, a defesa esclarece que o Ministério Público pediu o arquivamento da investigação por entender que, naquele momento, não havia elementos suficientes para o oferecimento de denúncia criminal. Segundo o advogado, a medida não encerra a discussão sobre a conduta do investigado.

O arquivamento não representa decisão judicial de mérito, tampouco declaração de inocência, mas apenas uma opção do órgão acusatório de não prosseguir, por ora, na esfera criminal”, destacou a defesa.

O posicionamento foi divulgado após a defesa do psicólogo informar à imprensa que o caso havia sido encerrado judicialmente. Na ocasião, foi informado que o Ministério Público não identificou elementos para caracterizar crime contra a dignidade sexual, levando ao encerramento da persecução penal.

Apesar disso, a defesa da vítima ressaltou que o próprio Ministério Público reconheceu, na promoção de arquivamento, que as conversas de cunho sexual e o comportamento atribuído ao profissional são “reprováveis dentro da ética profissional”, apontando incompatibilidade com os deveres esperados de um psicólogo no atendimento terapêutico.

De acordo com a manifestação, a vítima já iniciou outras medidas para buscar responsabilização do profissional em diferentes esferas.

“Outras medidas judiciais e administrativas já estão sendo adotadas pela vítima em vias próprias, inclusive nas esferas cível e ético-disciplinar, a fim de buscar responsabilização adequada e reparação pelos danos sofridos”, informou o advogado.

Relembre o caso

O caso veio à tona em março deste ano, quando a paciente, de 25 anos, relatou ter sofrido episódios de assédio durante o acompanhamento psicológico iniciado em dezembro de 2022. Segundo ela, ao longo do tratamento o profissional teria ultrapassado os limites da relação entre terapeuta e paciente, com mensagens fora do horário de atendimento e conversas de teor sexual.

Na época, a denúncia foi registrada na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e também encaminhada ao Conselho Regional de Psicologia (CRP), responsável por apurar eventual infração ética.

A defesa da vítima afirmou que ela continua recebendo acompanhamento jurídico e que seguirá buscando a apuração dos fatos em outras instâncias.

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