Tudo parecia normal, mas, não estava.
Cheguei em casa por volta das dez da noite, abri o portão verde com o muro laranja, adentrei após percorrer o pequeno jardim.
Abri outra porta da mesma cor só que dessa vez com paredes brancas.
Adentrei, percorri o cômodo, toquei a tecla da lâmpada que fica do lado oposto do ambiente.
Peguei uma garrafa pequena com água na geladeira, liguei a luz da outra repartição, apaguei a luminária da primeira.
Olhei para o meu sofá preto vi meu gato angorá, não queria o carinho habitual, pois estava dormindo.
Fui até ao banheiro, abri o Box de vidro fumê e apartei o registro do chuveiro que gotejava.
Quando cheguei ao quarto deparei-me com meu corpo deitado no chão.
Qual teria sido o motivo da minha queda?
Teria morrido, por infarto. Contando às vezes a preguiça de me exercitar.
Teria falecido por um bandido que tentou me roubar e se decepcionou com meus poucos pertences.
Pensei: deveria ter trocado a fechadura.
Ou não teria eu falecido estava apenas relaxando.
Como um flash veio a minha memória o momento em que nasci. Naquele vilarejo pobre. A primeira infância, as brincadeiras. Os primeiros amigos. As primeiras decepções. As primeiras conquistas. O crescimento, todo crescer é morrer, causa dor, medo e angústia.
Quem teria sido meu algoz, outrem ou eu mesmo?
A dúvida era filosófica, religiosa, existencial, mais ao mesmo tempo simples e objetivas.
Pessoas vivem e se perdem para mostrar aos outros que são melhores. No entanto, não são melhores nem na vida nem na morte.
Tem gente que compra o que não precisa, pra mostrar o que não é para alguém que não gosta.
Justamente eu que gostava de viver cercado por pessoas, onde estariam eles, provavelmente dormindo ou curtindo uma boa festa. A verdade é que estava ali e nem sabia quando seria encontrado.
Repentinamente tudo foi ficando claro e clareando cada vez mais, até o momento em que meu terapeuta batia levemente no meu rosto, dizendo: acorda, acorda, acorda…
Recobrei a consciência ou inconsciência e contei ao analista o ocorrido ele explicou que provavelmente tinha feito uma progressão e não regressão. E aquelas cenas poderiam se concretizar ou não existir sendo fruto apenas do meu imaginário racional que não distingue o real do imaginário.
A partir de aquele momento decidir que não iria mais ao meu psicanalista, teria ido longe demais tentando descobrir a causas dos meus bloqueios e traumas.
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POR MÁRCIO ALEXANDRE
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