A assisense Karina Patrícia de Oliveira Silva, de 38 anos, moradora do bairro Villa Bella, denunciou falhas no atendimento em saúde mental no município de Assis após enfrentar uma sequência de episódios envolvendo seus três filhos neurodivergentes, todos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) grau 2. Segundo ela, a família tem encontrado dificuldades para obter suporte contínuo, especialmente em momentos de crise.
O caso mais recente ocorreu na terça-feira, 20 de janeiro, no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Karina afirma que o filho mais velho, de 15 anos, tinha consulta marcada para as 11h, mas, ao chegar à unidade, foi informada de que não seria atendida, que não havia médico e nem transporte disponíveis. A mãe relata que contestou a informação, ressaltando que o quadro do filho exigia acompanhamento imediato.


FOTO: Enviada ao Portal AssisCity
Diante da situação e do tom elevado da discussão, a Polícia Militar foi acionada. Karina afirma que se sentiu constrangida e desamparada. “Eu estava pedindo ajuda para o meu filho, e a resposta que eu tive foi a polícia. Me senti tratada como se estivesse causando problema, quando, na verdade, eu estava pedindo socorro”, relatou.
Atendimento na UPA
Karina também criticou o atendimento recebido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), local onde deveria haver suporte adequado para casos envolvendo crianças e adolescentes com transtornos do desenvolvimento.
Em um dos episódios, a mãe relata que o filho passou mal dentro da unidade. “Meu filho, em crise de depressão, se trancou no banheiro masculino. Eu pedi ajuda, mas ninguém veio me socorrer, ninguém me ajudou a tirar meu filho do banheiro para que ele fosse atendido”, contou.
Ela afirma que, apesar de haver profissionais e segurança no local, não houve intervenção imediata para acolher o adolescente durante a crise. “Eu estava dentro da UPA pedindo ajuda, e ninguém apareceu para socorrer meu filho naquele momento”, disse.
Além disso, Karina relata problemas também no atendimento à filha. Segundo ela, a adolescente deu entrada na UPA na sexta-feira, dia 16, e novamente no sábado, dia 17, ainda apresentando sintomas. “Ela está doente até hoje. Não fizeram nenhum exame, só deram dipirona e mandaram embora”, afirmou.
Outros atendimentos e busca por ajuda
Já no domingo, 19 de janeiro, Karina levou o filho ao Pronto Atendimento do Maria Isabel, por volta das 23h30. Nesse caso, ela reconhece que o atendimento foi adequado. “No PA Maria Isabel, os médicos tiveram cuidado e atenderam bem meus dois filhos”, afirmou.
Após os episódios no CAPS, a mãe procurou o Ministério Público na tarde de terça-feira e que pretende ir à fundo pelos direitos dos filhos. “Eu estou exausta. Não sei mais a quem recorrer”, desabafou.
Karina afirma ainda que tentou contato com representantes do poder público e da área da saúde, mas não obteve retorno. “Quando a gente precisa de ajuda de verdade, parece que ninguém aparece”, declarou.
Contraste com anúncio recente
Em 15 de dezembro de 2025, a Prefeitura de Assis anunciou, nas redes sociais, a ampliação do atendimento com neuropediatra no município. Na ocasião, foi divulgado um vídeo institucional em que a própria Karina aparece ao lado dos filhos, elogiando o atendimento e agradecendo a iniciativa.
Agora, pouco mais de um mês depois, a mãe diz que a realidade é diferente do que foi apresentado. “Foi divulgado que existia estrutura e suporte. Eu acreditei. Mas, quando precisei de ajuda em uma situação grave, não encontrei esse suporte”, afirmou.
Karina diz que decidiu tornar o caso público para cobrar melhorias no atendimento às famílias de crianças e adolescentes neurodivergentes. “Eu vou continuar cobrando. Meus filhos precisam de tratamento, acompanhamento e respeito”, concluiu.
O Portal AssisCity entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde que, por meio de nota, informou que:
“Os atendimentos seguiram os procedimentos padrão estabelecidos pela rede municipal. Esclarece ainda que a criança mencionada no relato foi devidamente atendida no CAPS IJ, e tem agendado retorno para a próxima sexta-feira.
A Secretaria reforça o compromisso com a assistência integral às pessoas com TEA e seus familiares, mantendo-se à disposição para esclarecimentos e para o aprimoramento contínuo dos fluxos de atendimento, especialmente em situações de crise.”
