A Polícia Civil de Cândido Mota prendeu, na manhã da última sexta-feira, dia 31 de outubro, um homem de 43 anos investigado por estupro de vulnerável. A prisão temporária foi cumprida após denúncia feita por Júlia (nome fictício para proteger a identidade da adolescente), que completa 18 anos nesta semana e que foi vítima de abusos desde a infância, identificou a gravidade do que sofria após participar de palestras sobre violência sexual na escola.
De acordo com Júlia, os abusos começaram quando ela tinha cerca de três anos, enquanto estava sob os cuidados de sua avó materna e do companheiro dela. “Eu chegava da creche e, nos momentos em que ficava sozinha com ele, ele cometia os abusos. Muitas vezes não havia penetração, mas ele usava os dedos ou a boca. Eu era muito quieta, não falava nada. Não entendia o que estava acontecendo”, contou.

A jovem relatou que, embora tenha iniciado acompanhamento psicológico ainda criança por recomendação da escola, a compreensão do que estava acontecendo só se consolidou aos 10 anos. “No colégio, participava de palestras sobre violência e abuso. Foi ali que comecei a perceber que o que eu vivia não era normal, mas eu ainda tinha muito medo de contar para alguém”, disse.
Segundo Júlia, os abusos continuaram por mais de uma década. Ela contou que a primeira vez que falou sobre os incidentes foi em 2023, durante uma crise emocional intensa. “Procurei minha psicóloga e contei tudo. Ela comunicou à minha mãe e eu relatei tudo desde o início, mas nada foi feito. Anos depois, ele começou a abusar dos meus primos, três meninas e um menino”, afirmou.

A denúncia e a coragem
Diante da gravidade da situação, Júlia decidiu que precisava agir. “Eu sabia que minha família ia ficar contra mim. Mas pensei que não poderia me mudar para longe e deixar que outras crianças continuassem sofrendo. Eu não podia continuar permitindo que ele machucasse mais ninguém. Com a ajuda da minha namorada e de uma amiga, fui à Delegacia registrar a denúncia”, explicou.
Após a denúncia, feita em outubro, a relação de Júlia com a família se deteriorou. Ela contou que, com exceção da mãe das outras crianças e de uma tia, todos os familiares criticaram sua decisão. “Estão dizendo que eu não deveria ter feito isso. Mas ninguém teve consideração comigo”, relatou. Atualmente, Júlia mora com sua namorada na Vila São Roque e mantém distância da família do agressor.
A importância da educação e do apoio psicológico
Júlia destacou que as palestras na escola foram fundamentais para que ela reconhecesse a situação de abuso. “Foi ali que minha ficha começou a cair. Se não fossem essas orientações, talvez eu nunca tivesse percebido que aquilo não era normal”, disse. Além disso, o acompanhamento psicológico desde a infância ajudou a vítima a lidar com o trauma e a encontrar coragem para denunciar.

Questionada sobre suas expectativas, Júlia foi direta: “Espero que ele fique bastante tempo preso e que as crianças consigam se curar do trauma que ele causou”.
O Portal AssisCity entrou em contato com a família da vítima e buscou ouvir a versão dos familiares sobre os fatos, mas não obteve retorno até o momento. O espaço permanece aberto caso a família queira se manifestar.
Investigações e próximas etapas
De acordo com a Polícia Civil, as investigações seguem para localizar possíveis novas vítimas e reunir provas complementares. O homem permanece preso temporariamente e está à disposição da Justiça.










