Um caso de agressão envolvendo um advogado e o pai de um cliente foi registrado na manhã da última quinta-feira, dia 7 de agosto, na Delegacia de Polícia de Cândido Mota. Segundo o boletim de ocorrência obtido pelo Portal AssisCity, o homem, de 68 anos, esteve na delegacia acompanhado da esposa para denunciar o advogado por lesão corporal e ameaça.

Conforme o relato no boletim de ocorrência, o desentendimento teve origem em uma ação trabalhista movida há cerca de nove anos, na qual o filho do casal foi condenado. Para pagar as custas do processo, o filho do homem que diz ter sido agredido ofereceu como pagamento um imóvel pertencente à mãe, que deveria ter sido transferido. Contudo, a transferência não foi realizada, e o imóvel continuou registrado no nome da mulher, gerando cobranças de IPTU não quitadas, o que acabou resultando no bloqueio do salário dela.

Na manhã desta quinta-feira, por volta das 9h30, o casal foi ao escritório do advogado para tentar resolver a situação. Segundo o boletim, durante a conversa, o advogado teria se exaltado, aumentado o tom de voz contra a mulher, batido na mesa e insultado o filho deles. O profissional teria chamado o homem de “filho da puta” e “vagabundo”. O homem reagiu dizendo que “vagabundo” seria o advogado.

Ao deixar o local, ele afirma ter sido surpreendido por um soco no rosto, próximo aos olhos, que o deixou desorientado. Em seguida, o advogado teria ameaçado o homem com a frase: “Você não sabe com quem está mexendo”. Ele saiu do escritório atordoado e amedrontado.

Enquanto registrava a ocorrência, o homem recebeu uma ligação de seu filho, informando que o advogado teria pedido para “deixar quieto” e prometido “acertar tudo”. Ele apresentou ferimento visível no rosto, compatível com a agressão, e foi orientado a comparecer ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito.

Procurado pelo Portal AssisCity, o advogado negou ter cometido agressão física e apresentou sua versão dos fatos. “Eu não estou sabendo de nada disso aí. Teve um fato no meu escritório, mas não existe essa pessoa como meu cliente. O problema é que há alguns anos eu tinha uma ação trabalhista contra o filho dele. Ele queria fazer um acordo oferecendo uma casa para pagamento dos honorários”, explicou o advogado.

Ele relatou que a mulher do homem que registrou a ocorrência apareceu no escritório, mas negou maus-tratos ou agressões verbais. “Minha secretária falou que ela estava ‘brava’, mas mandei ela entrar. Ela sentou e mostrou uma dívida de IPTU no valor de 12 mil reais, que me prontifiquei a pagar”, detalhou.

Segundo o advogado, a discussão piorou quando o homem voltou a trazer assuntos antigos e ofensivos. “Ele começou a me xingar de bandido, safado, sem vergonha. Eu e a esposa dele pedimos para saírem da sala. Lá fora, ele continuou xingando e chutando a porta. Foi quando eu o empurrei para afastá-lo”, afirmou.

Sobre a suposta agressão física, o advogado negou o soco. “Eu apenas o empurrei. O óculos dele caiu em cima da minha mesa”, disse. Ele também afirmou que mantém boa relação com o filho do casal e tentou conversar para resolver a situação. “Ele tem direito de registrar a ocorrência, só que terá que provar o que está dizendo”, concluiu.

O homem que afirma ter sido agredido confirmou à Polícia Civil a intenção de representar criminalmente contra o advogado, sendo orientado sobre o prazo legal de seis meses para fazê-lo. A investigação segue em andamento. Questionada pelo Portal AssisCity, a delegada responsável, Raquel de Oliveira, declarou que “será dado andamento de acordo com o fluxo da delegacia”.

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