Em entrevista exclusiva ao Portal AssisCity, os jovens envolvidos na ocorrência com disparos de arma de fogo registrada na madrugada desta sexta-feira, 27 de junho, em um posto de combustíveis na Avenida Abílio Duarte de Souza, em Assis, afirmaram que o policial militar fora de serviço, preso em flagrante, foi quem deu início à confusão com acusações infundadas, ofensas, agressão física e dois disparos de arma de fogo.
O grupo era formado por cerca de dez pessoas, com idades entre 18 e 23 anos, todos funcionários de um restaurante da cidade. Eles haviam saído do trabalho pouco antes do encontro no posto. Um jovem de 23 anos e uma jovem de 19 anos concederam entrevista à nossa reportagem que, por questões de segurança, não terão os seus nomes divulgados nesta matéria.
Segundo relataram, o policial — à paisana — se aproximou do grupo gritando frases como “acabou a maconha” e “vocês não vão fumar mais aqui”. De acordo com o jovem de 23 anos, embora alguns do grupo fumem, ninguém estava usando maconha naquele momento.
Ao Portal AssisCity, uma jovem de 19 anos contou que foi a primeira a interagir com o PM. “Achei que ele estava brincando, então respondi no mesmo tom. Mas ele não gostou. Aí começou a me xingar de idiota e de noia. Ele estava acusando a gente de estar drogado, e eu disse que ele também estava, porque estava com uma latinha de cerveja Brahma na mão. Ele ficou sem argumentos e disse que ia levar a gente pra assinar alguma coisa.”
Ainda segundo o grupo, o PM continuou com as intimidações, especialmente direcionadas à jovem. O jovem de 23 anos relatou que ele e seu irmão, de 18 anos, tentaram intervir e acredita que o policial apresentava sinais claros de embriaguez. “A gente tentou puxar assunto sobre o Palmeiras por causa da tatuagem dele, pra ver se distraía, mas ele não parava. Continuava xingando e apontando o dedo na cara dela. Quando saírem as imagens, vão ver que a gente não foi violento. Só pedimos licença. Mas ele deu um tapa no rosto do meu irmão.”
“Meu irmão é um jovem preto e com dread no cabelo, não bebe e não fuma. Não disse uma palavra pra ele, não fomos mal educados, só pedimos licença. Batemos nele (o PM) depois porque ele bateu no meu irmão sem motivo algum”, completou.
A agressão gerou reação. Os dois irmãos partiram para cima do policial. Segundo o grupo, ao ouvir o gerente do posto gritar que ele era policial, eles recuaram. Foi nesse momento que, de acordo com o relato, o PM se levantou, sacou a arma e atirou duas vezes, mirando na jovem de 19 anos que havia sido ofendida e em outro jovem, também de 19 anos. Nenhum dos dois foi atingido.
Após os disparos, o grupo se dispersou. “Ela correu pra casa, ele correu para a empresa onde trabalha. Eu, meu irmão e minha namorada fomos para o cemitério e ligamos para a polícia”, afirmou o jovem de 23 anos. Quando retornaram ao local, várias viaturas da PM já estavam no posto.
Os jovens também relataram frustração com o atendimento na delegacia. “Enquanto a gente falava, os policiais riam, faziam piadas. Um deles falou que não foi tentativa de homicídio porque ele não acertou ninguém. Mas ele atirou na direção das pessoas”, disseram.
A Polícia Civil confirmou ao Portal AssisCity que o PM foi preso em flagrante pelos crimes de tentativa de homicídio, embriaguez ao volante e injúria. O local foi periciado, as imagens das câmeras de segurança foram obtidas e um inquérito policial foi instaurado. A Corregedoria da Polícia Militar também deverá acompanhar o caso.










