O impacto do pontificado do Papa Francisco (2013–2025) foi profundo e duradouro,
especialmente no Brasil, país com a maior população católica do mundo. Dados recentes
revelam uma aprovação massiva de sua liderança e indicam que muitos fiéis esperam que
seu legado inspire o perfil do próximo papa. Às vésperas do Conclave de 2025, cresce o
interesse mundial sobre os rumos da Igreja Católica, que vive uma de suas fases mais
desafiadoras e plurais da história recente.


A influência de Francisco no catolicismo brasileiro

Segundo pesquisa da AtlasIntel publicada em 26 de abril pelo programa GPS CNN, 66%
dos brasileiros consideram o pontificado de Francisco ótimo ou bom. Desde os anos 1980,
quando o número de fiéis católicos no Brasil vinha caindo cerca de 1% ao ano, esse índice
caiu para 0,5% sob o papado do primeiro papa latino-americano. Francisco, com sua
postura acolhedora e seu compromisso social, conseguiu frear parte dessa perda.

O perfil desejado para o próximo papa

A mesma pesquisa aponta que 42% dos brasileiros gostariam que o próximo pontífice
tivesse um perfil progressista, focado em inclusão, temáticas sociais e diálogo —
semelhante ao de Francisco. Em contrapartida, 30% preferem um papa mais conservador,
que valorize as tradições e regras morais rígidas. A Igreja se encontra, portanto, diante de
um dilema: manter o espírito reformador ou retornar a uma doutrina mais ortodoxa?

Além do rótulo: as complexidades da escolha

Apesar das classificações comuns entre conservadores e progressistas, a composição do
Colégio de Cardeais revela uma pluralidade mais complexa. Os eleitores do Conclave não
se alinham de forma binária. Eles refletem diferentes visões e vivências da fé eclesial. De
forma geral, é possível identificar três perfis entre os cardeais:

● Canonistas, ligados às normas jurídicas da Igreja;
● Liturgistas, voltados à celebração e tradição dos ritos;
● Pastoralistas, que priorizam a evangelização próxima da realidade do povo,
semelhante ao estilo de Francisco.

Em cada uma dessas tendências, há representantes que se distribuem entre a rigidez
doutrinária e a abertura pastoral, refletindo a complexidade do pensamento católico atual.

Francisco e os tabus: um papado além da religião

Francisco abordou, ao longo de seu pontificado, temas tradicionalmente considerados
tabus: o papel das mulheres na Igreja, a acolhida de divorciados e da população
LGBTQIAPN+, a crise climática, o drama dos imigrantes, a guerra entre Rússia e Ucrânia e
os conflitos na Palestina. Também teceu críticas ao modelo econômico global que
marginaliza os mais pobres. Seu papado assumiu uma dimensão geopolítica, despertando a
atenção não apenas dos religiosos, mas de diversos setores da sociedade civil.


Diversidade e expectativa por equilíbrio

O Conclave que se inicia nesta quarta-feira na Capela Sistina será o mais diverso da
história: 133 cardeais de 71 países. Isso evidencia a descentralização do poder eclesiástico
da Europa e reforça a importância global da Igreja Católica. Espera-se a escolha de um
nome que represente equilíbrio — alguém que não seja uma réplica de Francisco, mas
também não rompa com os avanços conquistados. O desafio será manter pontes entre
diferentes visões de mundo dentro da mesma fé.

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