Finalmente chegou o dia de Assis voltar a viver uma daquelas noites que entram para a memória coletiva da cidade. Depois de anos fora do calendário cultural, o Rock Cidade 2026 retorna nesta sexta-feira, 15 de maio e segue até sábado, 16, prometendo devolver à Praça da Bandeira aquele clima clássico de festival.

Com 12 bandas locais e regionais no line-up e show nacional de Di Ferrero encerrando a primeira noite, o festival marca oficialmente o reencontro de Assis com uma das tradições mais emblemáticas de sua cena cultural. Realizado pela Prefeitura Municipal de Assis, por meio da Secretaria de Cultura, o evento terá entrada solidária mediante doação de um litro de leite, além de comércio local e brinquedos gratuitos para crianças.

E se o sábado promete terminar em clima de celebração total, a responsabilidade de fechar o palco principal fica nas mãos da Maria do Céu, oitava e última banda a se apresentar no dia 16 de maio, à meia-noite.

E a proposta do grupo parece simples: não deixar ninguém parado.

Uma banda nascida entre amigos e madrugadas

Em conversa com o Portal AssisCity, o baixista Vinícius Cruz relembrou que a história da banda começou em 2014 de maneira completamente despretensiosa, daquelas que parecem nascer naturalmente em meio a amigos, música e madrugada.

“A Maria do Céu começou em 2014, e o nome veio da chácara onde estávamos tocando no dia, em um rolê de amigos. Como precisava de um nome, acabou ficando esse mesmo”, contou.

Ao longo dos anos, muita gente passou pela banda, formações mudaram e o projeto até entrou em pausa por um período. Mas alguns nomes permaneceram firmes desde o início da trajetória.

“O Éder Cruz, no vocal, e eu estamos desde o começo de tudo. De dois anos pra cá, a banda voltou com a formação de outra banda que eu tenho, junto com o Fábio Alves na bateria e o Nicollas Cêpa na guitarra e teclados”, explicou Vinícius.

Pop, nostalgia e versões fora do óbvio

Mas talvez o grande diferencial da Maria do Céu esteja justamente no repertório.

Enquanto boa parte das bandas costuma apostar nos clássicos previsíveis do rock, a MDC prefere caminhar por outra estrada: um universo pop carregado de nostalgia, pista de dança, flashback e músicas que todo mundo conhece, mas quase ninguém toca ao vivo.

“Nosso repertório é focado naquele pop que todo mundo gosta e conhece, mas que quase nenhuma banda toca. Só que fazemos nossas versões, misturando outros estilos que curtimos no meio. É um som bem animado e diferente do que você ouve por aí”, afirmou.

E a mistura de referências ajuda a explicar essa identidade sonora pouco óbvia.

As influências passam por Maroon 5, Coldplay e Madonna, mas também mergulham sem medo na disco music e no universo flashback.

Tudo isso filtrado pela personalidade individual de cada integrante. “A gente junta o que cada um traz na bagagem e cria o jeito MDC de tocar”, resumiu Vinícius.

Um show pensado para cantar junto

Diferente de muitos grupos da cena independente, a Maria do Céu não está focada, pelo menos por enquanto, em um trabalho autoral. A prioridade da banda é outra: transformar o palco em experiência coletiva.

“Não temos projetos autorais. Nosso foco é fazer um show ao vivo de respeito, com versões que a galera curte cantar junto”, explicou.

E essa conexão direta com o público parece ser justamente a essência do projeto.

A força da cena musical de Assis

Em uma cidade historicamente marcada pela força da música universitária e das bandas independentes, Vinícius acredita que Assis continua sendo um terreno fértil para novos artistas.

“Assis tem uma cena musical muito forte e respeitada. Tem muita banda nova e a galera mais antiga continua na ativa, se reinventando. O mais legal é ver que o pessoal da cidade e da região está indo aos shows e valorizando quem é daqui”, destacou.

Mas, como toda banda independente sabe bem, viver de música exige muito mais do que apenas subir no palco.

“O maior desafio é equilibrar tempo de ensaio, investimento, logística e ainda conseguir lugares que valorizem o trabalho do músico com uma estrutura legal”, contou.

Segundo ele, conciliar banda, rotina pessoal e vida profissional exige esforço constante — embora a recompensa faça tudo valer a pena.

“É uma correria grande conciliar a banda com a vida pessoal, mas o prazer de tocar compensa.”

Fechar o Rock Cidade: reconhecimento e responsabilidade

Talvez justamente por isso tocar no Rock Cidade tenha um peso tão simbólico para a Maria do Céu.

“É um baita reconhecimento. É um evento antigo, respeitado e que estava parado. Estar nesse palco é a prova de que a galera está curtindo o que está sendo feito”, afirmou Vinícius.

E a responsabilidade aumenta ainda mais quando se trata de encerrar um festival desse tamanho.

“Fazia tempo que queríamos apresentar nosso show em um palco grande igual ao do Rock Cidade. Fechar um evento desse tamanho é uma grande responsabilidade, para que seja lembrado e ansiosamente esperado na próxima edição.”

O que esperar da apresentação

Para quem pretende ficar até o último acorde da madrugada de sábado, a promessa da banda é clara: energia lá em cima e repertório impossível de assistir parado.

“Muita energia, músicas que sem dúvida nenhuma todos conhecem e que, quando tocarem, será um sentimento mútuo de pura curtição. Vamos entregar um show que foca mais no som de alta qualidade do que no papo furado, para que seja uma noite memorável”, disse Vinícius.

A formação atual da Maria do Céu conta com Éder Cruz nos vocais, Vinícius Cruz no baixo, Fábio Alves na bateria e Nicollas Cêpa na guitarra e teclados.

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