Médicos afirmam que redução da carga horária não vai causar prejuízos ao atendimento em Paraguaçu

A Câmara Municipal aprovou na noite desta segunda-feira (19) o Projeto de Lei Complementar que estabelece jornada de trabalho de 10 horas semanais para profissionais da saúde.

Dessa forma, os profissionais médicos cardiologistas, cirurgião geral, clinico geral, dermatologista, endocrinologista, gastroenterologista, ginecologista, infectologista, neurologista, oncologista, ortopedista, otorrinolaringologista, pediatra, perito, pneumologista, proctologista, psiquiatra, radiologista, urologista e médico vascular deverão cumprir duas horas diárias de trabalho nas unidades de saúdes do município. Até então, a jornada era de quatro horas diárias, totalizando 20 horas semanais.

A medida foi tomada pela Prefeitura devido a denúncias anônimas enviadas ao Ministério Público sobre a carga horária dos profissionais, já que os médicos da cidade se sentiram pressionados e vários pediram exoneração do cargo, passando a se dedicar somente as suas clinicas particulares.

Para não perder os profissionais que atualmente atendem ao município e atrair novos médicos para o serviço público em Paraguaçu, a Prefeitura firmou acordo com o Ministério Público para reduzir a jornada de trabalho.

De acordo com a cirurgiã geral, Dra. Lúcia Oda, a redução na carga horária dos médicos vai beneficiar toda a comunidade paraguaçuense.

“Eu acho que vai ser bom pra todo mundo (…) não estamos nos negando a atender ninguém, sempre nossas consultas são preenchidas e sempre há encaixes porque ninguém fica sem atendimento e o importante é que o número de consultas não vai diminuir, pode até aumentar, porque nós sabemos o tempo que nós levamos para atender os pacientes e qual é o tempo necessário para isso e esse tempo não é um tempo inábil, nós ficamos o tempo que for necessário no posto para atender todo mundo”, garantiu a especialista.

A médica afirmou ainda que ninguém gosta de ficar esperando muito tempo para ser atendido, por isso duas horas são suficientes.

“O paciente também não tem interesse de ficar quatro horas para ser atendido, então ninguém vai ser prejudicado na qualidade ou na quantidade de consultas”, assegurou Lúcia.

Nos últimos concursos públicos realizados em Paraguaçu Paulista, nos anos de 2009, 2010 e 2011 a cidade não obteve inscrições para diversas especialidades, como cardiologia, cirurgia geral, pediatria e psiquiatria.

Lucia Oda acredita que com a redução na carga horária novos especialistas poderão ser atraídos para a cidade.

“Eu acho que isso vai ser um grande atrativo para os médicos, principalmente porque nós não temos todas as especialidades em Paraguaçu e alguns médicos tem de vir de fora, isso seria um atrativo para termos mais especialidades dentro do nosso município, para atender com mais abrangência a toda a população”, espera.

O Dr. Adriano Henschel, clinico geral e oncologista, também acompanhou a Sessão e em entrevista afirmou que toda a polêmica gerada em torno dos médicos em Paraguaçu surgiu após boatos de que eles não cumpriam a jornada de trabalho diária. O especialista também garantiu que não haverá prejuízos aos usuários do SUS.

“Primeiro, de inicio houve um boato de que os médicos não cumpriam horário, que os médicos ganhavam e não trabalhavam, isso nunca existiu, o que acontecia é que os médicos sempre atenderam a demanda, sempre houve atendimento, nunca houve médico que ganhava salário e não ia atender no Posto, a segunda coisa é que a população está sendo mal informada de que diminuindo a carga horária vai diminuir o número de consultas e é justamente o contrário, o número de consultas não vai diminuir”, destacou Henschel.

O médico explicou também que o salário dos profissionais em Paraguaçu está na média, se comparado a municípios da região.

“Está na média, não muda, eu sei que assim como é difícil para Paraguaçu pagar o valor sugerido para os médicos, é difícil para outras cidades também”, afirmou.

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