A 1ª Vara Criminal de Assis levou a julgamento pelo Tribunal do Júri o caso em que uma mulher é acusada de tentar matar o ex-companheiro com golpes de tesoura. A sessão está marcada para esta quarta-feira, dia 17 de dezembro, às 9h, em Cândido Mota, e será presidida pelo Conselho de Sentença, conforme previsto na decisão de pronúncia assinada pelo juiz responsável pelo processo.
Segundo a sentença que encaminhou o caso ao Júri, há prova da materialidade do crime — registrada por laudo pericial e fotografias — e indícios suficientes de autoria, razão pela qual a acusada será submetida ao julgamento popular. O magistrado rejeitou pedidos de absolvição sumária e desclassificação, afirmando que as divergências nos depoimentos devem ser avaliadas pelos jurados. Ele também manteve a prisão preventiva, destacando a gravidade dos fatos e a reincidência da ré.

O caso
De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, o crime ocorreu em 14 de fevereiro de 2025, por volta das 22h44, na residência da vítima, localizada na Vila Rodrigues. Na ocasião, após chegar ao local com bebidas alcoólicas, a acusada teria desferido diversos golpes com uma tesoura, atingindo o tórax e a perna do homem. A denúncia aponta que apenas o rápido socorro prestado pelos policiais militares evitou o óbito.
O relato da vítima afirma que os golpes o deixaram desacordado e o levaram à UTI, após perder grande quantidade de sangue. Ele nega ter agredido a acusada naquela noite e sustenta que ela teria chegado embriagada ao imóvel.
Já a versão da ré é oposta: ela sustenta ter agido em legítima defesa, alegando que foi agredida pelo homem durante uma discussão, após ambos ingerirem bebidas alcoólicas. A acusada afirmou ainda que tentou deixar o local, mas teria sido impedida, reagindo com a tesoura encontrada por perto.
As testemunhas apresentaram depoimentos divergentes. Um vizinho relatou ter ouvido discussões intensas e sugeriu que a vítima agrediu a acusada primeiro. Outra testemunha afirmou ter visto ambos se agredindo antes dos golpes. Já os policiais militares que atenderam a ocorrência disseram ter encontrado a vítima caída no chão, ensanguentada, com a tesoura ao lado do corpo. Segundo os agentes, a acusada apresentava apenas um ferimento no lábio no momento da prisão.
O Ministério Público denunciou o caso como tentativa de homicídio, na forma tentada, e solicitou a oitiva das testemunhas em plenário. A acusação destaca que a quantidade e a localização das lesões indicariam intenção de matar. A defesa, por sua vez, reforça que o relacionamento era marcado por discussões e agressões anteriores, sustentando a tese de legítima defesa.

Nota da defesa
Em nota oficial, os advogados do escritório Alves & Vanzella informaram que, durante o julgamento, buscarão demonstrar ao Conselho de Sentença “todas as condições e circunstâncias do crime”, defendendo que nenhuma ação ilícita ocorre sem motivo. A defesa afirma que irá apresentar aspectos objetivos e subjetivos do caso, com o objetivo de reduzir eventual punição estatal, caso haja condenação.










