O Instituto do Negro Zimbauê e a Rede Trans de Assis divulgaram uma nota pública sobre o caso de uma mulher trans que denunciou episódios de transfobia na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Assis. O caso, ocorrido no dia 15 de março, foi noticiado pelo Portal AssisCity e envolve uma trabalhadora terceirizada que relatou situações de constrangimento durante o expediente.

Na nota, as entidades afirmam que “repudiam veementemente os atos de transfobia, assédio moral e racismo estrutural” relatados pela trabalhadora e avaliam que o episódio “não representa um fato isolado, mas a reprodução de uma violência sistêmica”, associada à sobreposição de discriminações de gênero, raça e classe social. Ainda segundo o documento, essa dinâmica é explicada pela interseccionalidade, definida como “a sobreposição de diferentes formas de opressão que intensificam a vulnerabilidade e a violência sofrida por uma pessoa”.

As entidades também apresentam dados para contextualizar o cenário nacional. De acordo com a nota, o Brasil lidera rankings internacionais de violência contra pessoas trans, sendo que “travestis e mulheres trans negras, pobres e periféricas são as principais vítimas”. O texto ainda cita que “cerca de 70% das pessoas trans negras já sofreram violência simultânea de racismo e transfobia”, reforçando a relação entre os diferentes tipos de discriminação.

Em outro trecho, a nota aborda a exclusão no mercado de trabalho e relaciona o caso à realidade enfrentada por essa população. Segundo as entidades, há um cenário de vulnerabilidade social e econômica, e o episódio registrado na UPA evidencia esse contexto. “O que se viu foi a materialização diária dessa exclusão”, afirmam.

O documento também trata do enquadramento legal das condutas denunciadas. De acordo com as entidades, “a transfobia foi equiparada ao crime de racismo pelo Supremo Tribunal Federal”, além da existência de legislações que tratam da discriminação racial e garantem o uso do nome social em órgãos públicos.

Ao cobrar providências, o Instituto do Negro Zimbauê e a Rede Trans de Assis afirmam que “é necessária uma apuração transparente, responsabilização dos envolvidos e reparação à vítima”, destacando ainda que “palavras precisam ser seguidas de ações concretas” por parte das autoridades e instituições envolvidas.

Na parte final, as entidades fazem um apelo à população e reforçam a importância da denúncia. Segundo a nota, “a transfobia, o racismo e o assédio moral florescem onde há impunidade e omissão”. O texto conclui que “a dignidade não se negocia e nenhum contrato com o poder público pode servir de escudo para a perpetuação do preconceito”. As entidades informaram que seguem acompanhando o caso e prestando apoio à trabalhadora.

O Portal AssisCity reforça que o espaço permanece aberto para manifestação da empresa envolvida.

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