Uma mulher trans, que trabalhava como auxiliar de limpeza para uma empresa terceirizada que presta serviço de limpeza para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Assis, denunciou ao Portal AssisCity um episódio que classifica como transfobia e assédio moral. Segundo o relato, o caso ocorreu na noite de 15 de março, durante seu expediente noturno, e teria envolvido integrantes da gestão da empresa contratada pela Prefeitura de Assis, por cerca de R$ 21 milhões, para administrar a unidade desde o dia 10 de março.
A funcionária registrou um boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária. Durante o horário de jantar, ela e uma colega teriam sido abordadas por uma mulher que se apresentou como diretora da UPA e ordenou que o banheiro fosse limpo imediatamente.
“Quando eu e minha amiga estávamos no refeitório uma senhora veio até minha amiga e disse: ‘Eu quero que vai agora lavar o banheiro da frente’. Vendo que estávamos no horário da janta, eu disse a ela que iriamos após terminar de comer e perguntei o nome dela, então ela se apresentou como ‘diretora e dona da UPA”, afirmou a funcionária ao Portal AssisCity.
Segundo o relato, ao informar que realizaria a limpeza após a refeição, teria ouvido frases ofensivas. “Sou uma mulher trans e essa senhora me disse ‘escuta aqui, querido’, se referindo a mim no masculino. Eu disse a ela o meu nome social, mas ela disse que me chamaria como quisesse, porque ela era da época da senzala e só faltava o chicote na mão”, contou a reportagem.
A funcionária relata ainda que foi submetida a situações constrangedoras ao longo do turno. Segundo ela, recebeu ordens para executar tarefas fora de sua função habitual e com materiais inadequados, além de afirmar que também teria sido alvo de comentários e risadas enquanto realizava a limpeza.
De acordo com o relato, ao utilizar produtos para higienização da UPA, ela também teria sido repreendida, sob a alegação de que estaria gastando material em excesso.
Após a sequência de ofensas, a funcionária informou que não retornou ao trabalho e foi avisada por sua encarregada que a diretora da UPA não gostaria que ela continuasse atuando no local.
Segundo ela, a empresa terceirizada sugeriu a transferência para outro posto, proposta que foi recusada. “Minha dignidade e meu respeito não valem um outro lugar”, declarou.
A funcionária afirma que pretende buscar seus direitos na Justiça e compartilhou sua indignação nas redes sociais, o que gerou grande repercussão. Segundo ela, houve uma suposta tentativa de acordo para que apagasse publicações sobre o caso, mas ela não aceitou.
O Portal AssisCity entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Assis, que por meio de nota informou que: “A Prefeitura Municipal informa que tomou conhecimento do fato relatado e, imediatamente, a prefeita Telma Spera determinou o acolhimento das pessoas envolvidas, com a devida oferta de suporte e acompanhamento.”
De acordo com a Prefeitura de Assis, os fatos serão devidamente apurados, com a adoção das medidas administrativas cabíveis, assegurando a responsabilização, caso sejam confirmadas as irregularidades.
A denunciante informou ao Portal AssisCity que, até às 13h30 desta quinta-feira, 19 de março, nenhum colaborador da Prefeitura havia prestado atendimento.
O Portal AssisCity também tentou contato com a gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e com a empresa terceirizada que presta serviço para a nova gestão, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.










