Os produtores de soja da região de Assis podem receber um dos maiores calotes dos últimos anos. A soja produzida na região é depositada em silos de empresas cerealistas para a comercialização no mercado interno e externo, e uma das cerealistas, que tem sede no Município, armazenou o produto de vários produtores e até o momento não fez o pagamentos aos produtores.
Cerca de vinte produtores se reuniram em frente à empresa de armazenamento de cereais na manhã desta sexta-feira, 8, em busca de esclarecimentos, mas as informações desencontradas são comuns no relato deles.
Um produtor rural da Água da Fortuna alega que a empresa está dando um dos maiores calotes nos produtores de soja da região dos últimos anos; ele teme que o prejuízo possa causar abalos inexplicáveis à economia do Vale do Paranapanema. “É um calote, a gente deposita a soja, embarcam e vendem e não pagam o produtor. A cerealista premeditou um gasto maior do que pode receber, venderam a nossa produção e não estão querendo pagar. A história se repete, já aconteceu em anos anteriores com outras empresas. Nós estamos cheios de dívidas. A empresa não explica a situação; estamos sem entender o que está acontecendo e podemos ficar a ver navios”, diz o produtor.
O advogado de um dos produtores de soja, Claudio Castro, informa que seu cliente pode ter um prejuízo de R$ 284 mil. “Segundo os meus clientes, a empresa de cereal afirma não ter como fazer o pagamento. Eles depositaram a soja para receber em uma futura venda. Os agricultores estão indignados, pois relatam que o produto está sendo vendido, mas não estão recebendo. Estamos promovendo medidas judiciais e cautelares para evitar uma dissipação patrimonial antes que a situação se aflore ainda mais. Por fim, as medidas são para resguardar o direito dos produtores”, declara.
O produtor de soja, Carlos Padovan declara que seu prejuízo possa ser de R$ 428 mil. A sua produção é de 100 alqueires, em Echaporã. “Fico preocupado, a empresa não dá um esclarecimento adequado, em uma das cargas foi alegado que tinha sujeira, aí quando a carga foi para ser retirada no Porto de Santos, estava sujo, e não pôde ser vendido. Esta questão é um problema da empresa e não nosso”, reclama.
O colhedor da oleaginosa, José Carlos Casachi, 50 anos, mensura que depositou 500 sacas, que correspondem a R$ 45 mil de prejuízo, se não ocorrer o pagamento. O produtor da Água da Roseta, em Paraguaçu Paulista, Raul de Oliveira, relata que sua perda possa ser de R$ 40 mil, que corresponde a 800 sacas em depósito.
Um produtor de 35 anos, da Água do Pavão declara que a empresa de cereais está discutindo formas para amenizar o prejuízo dos agricultores como a sessão de bens.” A gente fica decepcionado. Eles não possuem bens para nos ceder, sugerem a cessão de carros, caminhões, maquinário agrícola, mas não têm condições para isso. O meu prejuízo é enorme , em torno de R$ 500 mil. Planto soja em 100 alqueires, mas eles dizem que não têm dinheiro para pagar pelo produto armazenado”, lamenta.
A reportagem do AssisCity tentou o contato com a empresa de cerealista que preferiu não se manifestar a princípio.

Produtores de soja reunidos na cerealista

Produtor de soja, Carlos Padovan

Produtor de soja, Raul de Oliveira










