No último dia 4 de abril, o Portal AssisCity recebeu a prefeita de Assis, Telma Spera (PL), na série “100 Dias de Governo”. Ao ser questionada sobre a ampliação do horário de atendimento do Pronto Atendimento (PA) do Maria Isabel, a prefeita fez um longo desabafo reconhecendo que se precipitou ao anunciar a abertura do PA para atendimento 24 horas ainda em janeiro. Segundo ela, a decisão foi tomada sem que tivesse tido acesso à real condição da unidade, já que, por conta da legislação eleitoral, não pôde visitar órgãos públicos durante a campanha.
“Na verdade, o que aconteceu foi no Conselho Municipal de Saúde. Eu disse a eles, foi numa terça-feira, que na outra semana, na quinta, nós abriríamos 24 horas. Já era um pronto atendimento, correto? E eu fiz a previsão em cima da qualidade com a qual estou acostumada a trabalhar”, explicou Telma.
Segundo Telma, o prédio não atendia às exigências mínimas para funcionar como uma unidade de urgência e emergência. “Há uma exigência legal de entrada exclusiva para ambulância, salas apropriadas para reanimação e isolamento. Não tinha sequer uma sala de hidratação. E ainda assim, esse pronto atendimento estava funcionando por anos”, declarou. Diante do cenário, ela tomou a decisão de suspender imediatamente a extensão do horário de funcionamento.
A prefeita reforçou que não haverá inauguração, pois o PA já existia, mas de forma inadequada. A proposta é reabrir com responsabilidade, estrutura e segurança. “Nós compramos respiradores, monitores cardíacos, cadeiras, mobiliário novo. As poltronas da sala de hidratação já chegaram e estão instaladas. Está ficando um espetáculo”, disse.
Questionada sobre um novo prazo para reabertura, Telma foi categórica: “Não vou falar. Estamos planejando. Vai abrir, mas no tempo certo e do jeito certo.” Segundo a prefeita, a estrutura está passando por reformas e aquisição de equipamentos. “Os respiradores, monitores cardíacos, cadeiras, todo o mobiliário ali da recepção e poltronas que compramos já chegaram e estão devidamente instalados”, destacou. Ela também reforçou que não vai se tratar de uma reinauguração, pois o serviço já existia, mas sim de uma reestruturação com condições adequadas.
Além do PA, a prefeita também falou sobre a mudança na gestão da UPA Ruy Silva, que passou da FEMA para a Santa Casa de Assis, devido a questões legais. Telma explicou que a FEMA é uma fundação voltada à educação e, por isso, seu CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) não permite atuar como gestora de unidades de saúde. “A FEMA é uma instituição educacional. Estava exercendo um papel que não era compatível com sua natureza jurídica”, disse.
A Santa Casa, por outro lado, possui certificação CEBAS (Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social na Área de Saúde), que a reconhece oficialmente como uma instituição filantrópica. Essa certificação garante isenção de impostos e a prioridade legal para firmar convênios com o poder público. “Fica muito mais em conta fazer a gestão da UPA pela Santa Casa do que pela FEMA. A Santa Casa tem CEBAS, e isso é essencial para esse tipo de parceria”, explicou a prefeita.
A prefeita também comentou sobre o quadro de profissionais da unidade. Segundo ela, a maioria foi recontratada com base em indicação da própria equipe da UPA. “Aqueles que estavam comprometidos tiveram seu trabalho continuado. A equipe da Santa Casa ouviu quem estava lá dentro. Foi feito um processo de escuta”, relatou.
Nos primeiros dias da transição, Telma contou que houve muitos desafios operacionais, inclusive com faltas e atestados. “Foi muito difícil. A nossa secretária municipal de Saúde, Amanda, se virou para manter tudo funcionando, cobrindo plantões. Mas hoje está estabilizado”, disse.
A prefeita concluiu dizendo que a saúde será uma das grandes prioridades da gestão. “A população merece ser bem atendida. Estamos nos reorganizando com base técnica, planejamento e legalidade”, afirmou.
A entrevista completa com Telma Spera está disponível no Siga nosso canal no YouTube
