Em vídeo publicado pelo próprio especialista, Becker explica que a ciência já comprovou que, durante a leitura, o cérebro do adulto e o do bebê entram em sintonia. Segundo o autor, “as pesquisas em neurociência mostram que o cérebro do cuidador e o cérebro do bebê entram em sincronia”. Ele destaca que até a respiração e a frequência cardíaca podem acompanhar o mesmo ritmo.
Conexão que vai além das palavras
Segundo o pediatra, o mais importante não é o bebê entender a história. “O ponto central não é o bebê entender a história. O ponto é a experiência compartilhada”, afirma o médico.
De acordo com o autor, imagens de pesquisas realizadas na University of East London mostram mãe e filha monitoradas em laboratório, com ondas cerebrais se alinhando durante a leitura. Segundo Becker, isso demonstra “um momento de conexão emocional profunda”, em que o bebê sente presença, previsibilidade e segurança.
O pediatra explica que, no início da vida, o cérebro do bebê é desorganizado e os ritmos são irregulares. Segundo ele, a leitura ajuda a estruturar esses ritmos. “A voz do adulto, a entonação, o ritmo da fala, a repetição, o começo, o meio e o fim da historinha vão ajudando o cérebro a se organizar”, afirma.
Benefícios para linguagem e emoções
Segundo o autor, os benefícios não se limitam ao desenvolvimento da linguagem. A leitura compartilhada também contribui para a formação da autoconsciência, o reconhecimento das emoções e a construção de vínculos seguros.
De acordo com Daniel Becker, criar o hábito da leitura favorece o relaxamento, melhora a qualidade do sono e funciona como um forte estímulo cognitivo e emocional. “É tudo de bom”, resume o pediatra.
Ele ainda destaca a diferença entre “ler para” e “ler com” a criança. Segundo o autor, “ler com é observar, ajustar o ritmo, pausar, repetir, brincar com a voz, responder o bebê interativamente”. Para Becker, isso não acontece em leituras mecânicas ou por meio de telas, onde não há vínculo afetivo.
Quanto antes, melhor
Segundo o médico pediatra Daniel Becker, esse hábito pode ser construído em qualquer fase, mas quanto mais cedo começa, mais profundos e duradouros são os efeitos. Ele reforça que a leitura cria um espaço diário de encontro, afeto e presença dentro da família.
Para o pediatra, ler com o bebê é muito mais do que contar uma história: é construir conexão, segurança e bases sólidas para toda a vida.










