21 de Agosto de 2019
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Diário de um bebê...

COLUNISTA - Carlos R. Ticiano

Esta é a história de um bebê e do sonho de uma jovem em viver um grande amor. Constituir
uma família e viver feliz. Mas por ironia do destino...

Dia 31 de Janeiro... É noite, enquanto chove lá fora, mamãe se entrega aos beijos e abraços
do seu namorado. Ignorando talvez, que deste amor poderá nascer um novo ser.

Dia 16 de Fevereiro... Ao levantar-se mamãe parece enjoada. Demonstrando seus primeiros
sintomas de gravidez. Por enquanto não passo de uma minúscula sementinha, menor que um
grão de arroz. Mas estou contente com os primeiros traços do que vai ser o meu corpinho.

Dia 05 de Março... Mamãe aparenta estar inquieta e preocupada. O embrião, como sou
chamado, começa a desenvolver o cordão umbilical. Vai começar a formação do tubo neural,
onde surgirá o meu cérebro, minha medula, meus olhos, minhas orelhas... Sinto me protegido
pelo seu corpo. Meu coraçãozinho também começa a surgir.

Dia 24 de Março... Há um enorme carinho por tudo aquilo que me envolve. Estou crescendo e
todas as partes do meu corpo se interagindo. Já deixei de ser um embrião para ser um feto.
Sinto a evolução dos meus braços, minhas mãos, minhas pernas e meus pés. Ainda não é
possível saber se vou ser um menino ou uma menina...

Dia 11 de Abril... Todas as partes do meu corpo estão se desenvolvendo. Começam a surgir os
meus olhos, meus dentes, meus cabelos... Sinto quando a mamãe passa a mão na barriga,
como que me acariciando. Confesso que não vejo à hora de conhecê-la...

Dia 28 de Abril... Estou ficando grandinho e cada vez mais apertadinho dentro do seu ventre.
Já é possível saber o meu sexo, mas mamãe ainda não fez o ultrassom. Todos os meus órgãos
internos já estão quase formados. Engraçado, às vezes a sinto me fazer carinho chorando,
triste, apreensiva...

Dia 07 de Maio... Amanheceu! Mamãe parece agitada. Levanta-se, faz um café e sai sem dar
explicações para ninguém. Eu estou bem, já apresento diversas expressões faciais e sou mais
receptivo aos estímulos externos. Passam das oito horas e mamãe entra em uma "clínica
clandestina de abortos” e acaba de tirar a minha vida...

Este é o desfecho de uma história triste. E com ele a vida de um bebê inocente. Segue a rotina
de uma jovem com um desenredo trágico. Idêntico a de tantas outras espalhadas pelo mundo.

COLUNISTA - Carlos R. Ticiano
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