A Frente Parlamentar da Educação da Câmara Municipal de Assis falou nesta quarta-feira, 26 de novembro, sobre a compra e distribuição dos uniformes escolares da rede municipal. A manifestação ocorre após a chegada da resposta oficial ao Requerimento nº 600/2025, que cobrou explicações do Executivo sobre a situação dos kits entregues aos alunos. Documentos anexados revelam falhas de planejamento, falta de controle de tamanhos, atrasos sucessivos e inconsistências no levantamento enviado pelas escolas, resultando em centenas de crianças com kits incompletos ou sem uniforme algum.

Levantamento da SME tem dados incompletos e mais de 2 mil alunos prejudicados

Segundo o compilado enviado pelas unidades, 32 escolas deveriam responder ao pedido, mas apenas 30 retornaram — sendo que uma delas sequer se identificou e outras duas não deram resposta. Entre as que prestaram informações, o levantamento mostra que 1.175 alunos (15,78% da rede) não receberam nenhum uniforme, enquanto 915 (12,29%) receberam kits faltando peças. Ao todo, 28% das crianças matriculadas na rede municipal foram prejudicadas, ou sejam pelo menos 2.090 estudantes prejudicados. Os números podem ser ainda maiores, já que algumas escolas encaminharam apenas a quantidade de itens faltantes, sem informar quantas crianças foram afetadas, impossibilitando um fechamento exato da situação.

Foto tirada em junho de 2025 durante o anúncio da compra dos uniformes – FOTO: Prefeitura de Assis/Arquivo

O requerimento foi apresentado pelo vereador Lucas Gomes (SDD), após uma sequência de reclamações de pais e servidores. No texto, o parlamentar questiona diretamente o Executivo sobre o motivo do atraso, o fato de apenas camisetas terem sido enviadas como molde para prova de tamanho, a ausência de planejamento e a decisão da gestão municipal de efetuar a compra “às cegas”, sem medir as crianças. O documento exige ainda que o governo municipal indicasse um prazo objetivo para a entrega das peças faltantes — algo que não foi atendido pela prefeita.

Em junho deste ano, na semana que antecedeu o aniversário da cidade, a Prefeitura havia comemorado a chegada dos uniformes, afirmando que mais de 45 mil peças haviam sido adquiridas para atender 7.447 crianças. O anúncio também destacava que os kits incluíam camisetas de manga curta e longa, calça, jaqueta, bermuda e shorts-saia, e que parte dos recursos utilizados na compra tinha origem na devolução de valores pela Câmara Municipal. Passados cinco meses, o quadro revelado pelas escolas e pelos pais é completamente oposto ao cenário divulgado no início do programa.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o vereador responsável pelo requerimento afirmou que o problema é consequência direta de um “amadorismo” da gestão municipal. “São 2 milhões de reais jogados no lixo. Constatamos mais de 1.200 crianças sem uniforme, sem contar os kits incompletos. Isso é amadorismo dessa administração, que comprou sem experimentar as peças nas crianças. Exigimos respeito com o dinheiro público e a entrega imediata dos uniformes, porque do jeito que está, não dá para continuar”, disse Lucas Gomes.

Resposta da prefeita admite atrasos, mas não apresenta nenhuma data

A crítica se sustenta também nos documentos oficiais enviados pela Prefeitura. Na resposta assinada pela prefeita Telma Spera, datada de 19 de novembro, a chefe do Executivo afirma que os atrasos se devem a “intempéries” e ao fato de o processo ser “inédito nas últimas décadas”. Ao justificar o envio apenas da camiseta para prova de tamanho, a prefeita informa que a escolha foi feita para “agilizar o processo e a produção”, reafirmando que a contratação se baseou apenas em uma tabela de medidas fornecida pela empresa.

Na resposta ao item que pede prazo para a entrega dos uniformes faltantes, Telma Spera afirma textualmente. “A entrega total dos uniformes, incluindo os itens restantes, está prevista para ocorrer ainda no corrente exercício.”

Apesar disso, nenhuma data foi especificada, nem cronograma, nem previsão de início da reposição. A resposta não informa quando os novos tamanhos chegarão, nem se haverá entrega parcial ou como será organizada a distribuição no final do ano letivo — ponto central criticado pela Frente Parlamentar.

Essa falta de detalhamento foi alvo de questionamento imediato dos vereadores, que afirmam que a resposta é “vaga”, “incompleta” e “insuficiente para garantir segurança às famílias”.

Famílias relatam tamanhos errados e falta de comunicação

Enquanto isso, o relato das famílias reforça o cenário de indignação. Mães ouvidas pelo Portal AssisCity relatam problemas de qualidade, tamanhos imprecisos e ausência de comunicação das escolas e da Prefeitura. Uma responsável, que pediu anonimato, descreveu a frustração:

“Devolvemos o kit no dia seguinte e pedimos um número maior. Meses antes, entregamos os tamanhos certinhos. Mesmo assim, veio um kit horroroso. Gostaria de saber se a prefeita usaria esse uniforme nos filhos ou nos netos. Tem criança que não recebeu nada, e outras receberam e no primeiro dia rasgou.”

Outra mãe comparou Assis a cidades vizinhas, apontando desigualdade na oferta dos kits. “Em Paraguaçu Paulista, Maracaí e Quatá, as crianças recebem kit completo, até sapato. Aqui, meu filho recebeu duas camisetas e um shorts, todos menores do que pedimos. Onde está indo essa verba?”, disse.

Mães e pais reclamam da falta de peças e da baixa qualidade dos uniformes – FOTO: Prefeitura de Assis/Arquivo

A Secretaria Municipal da Educação, também por meio de nota enviada à Câmara Municipal e que o Portal AssisCity teve acesso, confirmou que peças entregues com tamanhos divergentes serão aproveitadas apenas em 2026 e que um novo pedido de tamanhos maiores já foi feito. A pasta afirmou que está aprimorando o sistema de distribuição e que as próximas entregas deverão vir separadas por escola para facilitar a logística. No entanto, assim como na nota assinada pela prefeita, não foi indicado um prazo real para normalização.

O Portal AssisCity segue acompanhando o caso.

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