
Por Ulisses Coelho
As férias me proporcionam um privilegio verdadeiramente fantástico, que é a oportunidade de dormir até mais tarde. Durante o ano, uma das experiências mais desagradáveis que vivencio, recai justamente no ato de levantar extremamente cedo. Tomar um cartão vermelho na cama, as cinco da matina, dado por um árbitro-despertador nazista; não deixa ninguém ser feliz aqui na Terra.
Vou remontar às nossas origens para explicar essa barbaridade social. O ser humano, como todos os animais com hábitos diurnos, tem na sua natureza a disposição de descansar quando está escuro (noite) e desenvolver suas atividades quando está claro (dia). Assim, não foi por acaso que Platão disse que os homens são como bípedes implumes, pois dormíamos no mesmo horário que as galinhas. Alguns mais “espertinhos” costumam, até hoje, nanar com elas…
Entretanto, no século XVIII, Benjamin Franklin descobre a eletricidade. Esse fato histórico, em termos biológicos depois da popularização da energia elétrica, significa dizer: “O dia está mais extenso, pois podemos simular o sol numa situação em que ele não ilumina nossas casas”. Trocando em miúdos, passamos ter condições de ficar mais tempo acordado.
Na onda das progressões científicas, vieram o radio; a televisão; o vídeo cassete (desenterrei essa, não?); o dvd; o celular; o computador, a internet; e mais um arsenal se artigos tecnológicos que usam a eletricidade. Como as pessoas, naturalmente, realizam suas obrigações durante o dia; sobra para esse apêndice da luz solar propiciado pela energia elétrica, o tempo para ter contato com as novas tecnologias.
Dessa forma, passamos a dormir mais tarde e acordar no mesmo horário!
Não sou adepto do discurso que as pessoas devem dormir mais cedo para poder levantarem dispostas no outro dia pela manha. Seria o mesmo que defender uma auto-exclusão das novidades do mundo contemporâneo. Penso que os horários de funcionamento das instituições urbanas devem se adequar aos tempos atuais. Se o comercio abre às nove horas da manhã, por que as outras atividades também não acompanham esse raciocínio…
Ainda no auge de minhas merecidas férias, continuarei acordando o mais tarde possível. Se não for por sono será por protesto. Levantar com o sol alto, aqueles der arrebentar mamona, e na maior cara de pau dizer bom dia, em vez de boa tarde.
Aliás! Isso de escrever de folga da um sono…
Ulisses Coelho









