Dormir por muitas horas nem sempre significa descansar bem. A qualidade do sono está diretamente relacionada às fases que compõem o ciclo do descanso noturno e pode ser comprometida por distúrbios como a apneia do sono, uma condição comum e potencialmente grave. O alerta é do médico Luiz Marcelo Rotondaro, especialista em medicina do sono, em entrevista ao Portal AssisCity, realizada na Clínica Morpheus, em Assis.

Segundo o especialista, o sono é formado por ciclos compostos por diferentes fases, cada uma com funções específicas para o organismo. “A quantidade e a qualidade do sono são coisas diferentes. É possível dormir muitas horas e ainda assim acordar cansado, quando não se alcançam as fases mais profundas do sono”, explica.

O ciclo do sono é dividido em quatro fases. A primeira é o sono leve, de transição entre vigília e descanso. A segunda representa cerca de metade da noite, mas tem baixa eficiência biológica. Já a terceira fase é o sono profundo, essencial para a liberação de hormônios, consolidação da memória e recuperação física. Por fim, o sono REM, fase dos sonhos, é fundamental para a saúde mental, criatividade e organização das informações do dia.

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“A qualidade do sono depende de completar esse ciclo. Quando isso não acontece, a pessoa pode acordar cansada, mesmo dormindo várias horas”, destaca Rotondaro.

Apneia do sono fragmenta o descanso

Entre as principais causas da perda de qualidade do sono está a apneia do sono, um distúrbio caracterizado por pausas repetidas na respiração durante a noite, causadas pelo fechamento das vias aéreas. Essas interrupções levam à queda da oxigenação do sangue e obrigam o organismo a provocar microdespertares para retomar a respiração.

“Esses microdespertares fragmentam o sono e impedem que a pessoa permaneça tempo suficiente nas fases profundas. Dependendo da gravidade, além de prejudicar o descanso, a apneia pode causar problemas cardíacos e neurológicos”, afirma o médico.

A condição é considerada altamente prevalente. Estimativas apontam que cerca de 30% da população brasileira apresenta algum grau de apneia do sono, variando entre leve, moderada ou grave.

Ronco pode ser sinal de alerta

O ronco é um dos principais sinais associados à apneia do sono, mas nem sempre indica um problema de saúde. Conforme explica o especialista, ele pode ser apenas um ronco essencial ou a chamada “ponta do iceberg” de um distúrbio mais sério.

“O ronco isolado costuma ser mais um problema social. Mas quando está associado à apneia do sono, pode indicar riscos importantes à saúde”, ressalta.

Fatores como dormir de barriga para cima, consumo de álcool e cansaço excessivo podem intensificar o ronco. No entanto, apenas exames específicos conseguem diferenciar o ronco simples da apneia do sono.

Diagnóstico e riscos à saúde

O diagnóstico da apneia do sono é feito por meio da polissonografia, exame que avalia respiração, oxigenação, frequência cardíaca e as fases do sono durante a noite.

Quando não tratada, a apneia do sono pode provocar sonolência diurna excessiva, queda no rendimento profissional e acadêmico, aumento do risco de acidentes, além de estar associada à hipertensão arterial, arritmias cardíacas, infarto e AVC.

“O tratamento da apneia do sono melhora significativamente a qualidade de vida e ajuda no controle de outras doenças”, destaca Rotondaro.

A orientação é que pessoas que roncam com frequência, acordam cansadas ou sentem sono excessivo durante o dia procurem avaliação médica especializada.


Serviço – Clínica do Sono Morpheus

???? Endereço: R. Dr. Adalberto de Assis Nazaret, 1086 – Jardim Europa, Assis – SP, 19814-050
???? Telefone/WhatsApp: (18) 99726-8483

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