CRISES QUE DEIXAM DE SER EXCEÇÃO
Quando as crises deixam de ser episódios isolados e passam a se suceder em ritmo constante, a população começa a questionar quem, de fato, está conduzindo os rumos da administração municipal e por que a gestão tem sido marcada por sucessivas polêmicas.
O pedido de exoneração do secretário de Governo é mais um capítulo dessa sequência. Embora uma carta tenha circulado na imprensa, Assis permanece com dúvidas. Por que a gestão “Juntos por um Novo Tempo” vive mais uma saída de um importante aliado?
Prisões, mudanças no primeiro escalão, rompimento entre prefeita e vice, desgastes com vereadores, suspensão judicial do contrato milionário da UPA e sucessivas controvérsias compõem um cenário que transmite uma percepção de instabilidade institucional.
Diante desse contexto, torna-se difícil ao munícipe acreditar em um ambiente favorável ao progresso.
O PAPEL DA CÂMARA MUNICIPAL
Em meio a sucessivas crises, a população também espera da Câmara Municipal uma fiscalização firme, independente e transparente. O papel do vereador não se limita a aparecer em atos de entrega de obras e serviços; exige também posicionamento público diante das crises que afetam a administração.
A FORÇA POLÍTICA QUE SE PERDEU
Em uma democracia, ninguém governa sozinho. Tampouco vence uma eleição sozinho.
Os sucessivos rompimentos seriam consequência de uma excessiva centralização política? Da falta de diálogo? Ou de divergências na condução administrativa? São perguntas que surgem naturalmente diante dos acontecimentos.
Durante a campanha, essa gestão reuniu diferentes lideranças políticas do município. Em um vídeo que circulou nas redes sociais, uma dessas lideranças afirmava que a convenção do partido poderia reunir cerca de mil pessoas.
Onde estão hoje essas lideranças? Onde está o grupo político que participou da campanha? Onde está a militância que demonstrava entusiasmo naquele momento?
Naquele período, a coligação vencedora transmitia uma imagem de ampla articulação política. Entretanto, essa capacidade de coalizão não parece ter se mantido ao longo dos dezenove meses de governo. O rompimento com o vice-prefeito e as mudanças no secretariado reforçam essa percepção.
OS SINAIS VINDOS DA PRÓPRIA BASE
Também chama atenção o comportamento da própria base governista.
Havia necessidade de vereador aliado se posicionar publicamente contra um projeto do Executivo? O que explica a declaração afirmando que fazer oposição poderia estar compensando mais?
Quando correligionários manifestam insatisfação de forma pública, isso produz não apenas desgaste político, mas também levanta questionamentos sobre a capacidade de articulação da administração e de construir consensos em torno das políticas públicas.
A PERGUNTA QUE PERMANECE
Mais do que explicar cada crise isoladamente, o governo precisa responder a uma questão maior: qual é o projeto de governança capaz de devolver previsibilidade, confiança e segurança política à administração?
Estabilidade política é condição para que uma cidade avance, atraia investimentos, execute políticas públicas e ofereça à população a confiança de que existe uma direção clara para o futuro.










