A psicóloga e coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), de Assis, Nanci Rabelo Pelegrino, explica o trabalho do órgão para lidar com os moradores de rua, visto que muitos deles estão em situação de vulnerabilidade social.
Nanci esclarece que o trabalho do CREAS com os moradores de ruas ultrapassa as questões que englobam a vulnerabilidade social. Ela explica a funcionalidade da Casa POP (Casa de Atendimento a População em Situação de Rua) que é uma unidade de acolhimento imediato e emergencial para as pessoas de Assis, que se encontram em situação de rua, em condições de mendicância e migrantes em trânsito, que foram abandonados pelas famílias ou responsáveis. Ela atua no sentido de resgatar a auto-estima e a cidadania das pessoas, reintegrando-as à sociedade e à família. As atividades desenvolvidas por meio da Casa POP são amplas.
“Afirmo que ultrapassa a vulnerabilidade social, pois em situações deste tipo, o indivíduo, às vezes, pode recorrer à família e no caso destas pessoas, não são acolhidos pelos familiares, pois são dependentes químicos e têm problemas psiquiátricos “, explica.
A psicóloga do CREAS informa que Assis conta com 6 moradores permanentes de rua, aqueles que sempre vivem nestes ambientes e que a família os abandonou, e não estão de passagem pela cidade. A maioria deles faz uso frequente de drogas, como bebidas alcoólicas e outras como cigarros, maconha e crack. “Além destes problemas de vícios, apresentam alguns distúrbios psiquiátricos também”, acrescenta.
Para Nanci, a reintegração de pessoas que vivem nas ruas para o meio familiar e para o mercado de trabalho é complexa, pois em muitos casos os familiares não os aceitam. Assim, o CREAS atua no sentido de conversar com as pessoas que vivem na vulnerabilidade das ruas, de forma a explicar a importância da reinserção social.
“Conversamos quase que diariamente com os moradores das ruas; procuramos orientá-los a largar a dependência química; alguns são encaminhados para a Frente de Trabalho da Prefeitura, mas nem sempre permanecem por causa do uso de entorpecentes, que os acometem mesmo. Assim, sempre procuramos o diálogo com eles e com os familiares quando ainda estão próximos, de modo a procurar o encaminhamento clínico, pois além de problemas psiquiátricos, em muitos casos, apresentam patologias graves como cirrose, câncer, entre outras”, diz.
Pelegrino declara que o CREAS atua de modo a auxiliar os moradores das ruas. As suas correspondências e benefícios, por exemplo, são enviados até a unidade, e quando são convencidos ficam um tempo na Casa POP, mas às vezes voltam ao ambiente familiar e podem apresentar recaídas, voltando às ruas.
A coordenadora do CREAS lembra ainda que o órgão em parceria com a Casa POP e a Unidade de Atendimento ao Migrante (UAM), que atende migrantes e itinerantes que estão em passagem por Assis, a caminho de outra cidade, disponibiliza serviços referentes à higiene pessoal, alimentação, vestuário e passagens de ônibus, além de promover o acesso e condições de acolhimento provisório junto à CASA POP, se for necessário. Estas três unidades, portanto, são parceiras. “A integração é muito importante, destaco ainda o papel da sociedade civil e da Polícia Militar que nos informa e denuncia quando veem alguém em uma situação de vulnerabilidade nas ruas”, finaliza.
O CREAS se localiza na Rua Emílio de Menezes,160, Vila Xavier. O seu funcionamento é de segunda-feira à sexta-feira das 7h30 às 17 horas. A UAM funciona no Terminal Rodoviário, que fica na Avenida Getúlio Vargas, próximo ao Clube da 3ª Idade, e funciona das 8 h às 17 h, de segunda-feira à sexta-feira. Casa POP funciona 24 horas por dia, no prolongamento da Avenida Getúlio Vargas, próximo ao Kartódromo de Assis.

Entrada da Casa POP

Parte interna da Casa POP










