O ex-secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços de Assis, Leandro Gonçalves Gabrigna, preso pela Polícia Civil na Operação “Veritas Vincit”, também figura entre os principais financiadores da campanha eleitoral da prefeita Telma Spera nas eleições municipais de 2024.

Levantamento realizado pelo Portal AssisCity no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que Leandro doou R$ 10 mil à campanha da então candidata à Prefeitura de Assis.

O valor faz dele um dos maiores doadores individuais da campanha. Entre as pessoas físicas, ele aparece atrás apenas de sua esposa, Eloiza Marson Gabrigna, que declarou uma doação de R$ 12 mil.

Principais doadores

De acordo com a prestação de contas da campanha, o maior financiador foi a Direção Nacional do Partido Liberal (PL), que repassou R$ 240 mil à candidatura de Telma Spera.

Entre os doadores pessoas físicas, aparecem:

  • Telma Gonçalves Carneiro Spera de Andrade – R$ 15 mil;
  • Eloiza Marson Gabrigna – R$ 12 mil;
  • Leandro Gonçalves Gabrigna – R$ 10 mil.

Os dados são públicos e podem ser consultados no sistema do Tribunal Superior Eleitoral.

Doação foi realizada em duas transferências

Os registros do TSE mostram que a doação de Leandro Gabrigna foi realizada em duas transferências via PIX.

A primeira, no valor de R$ 4,5 mil, foi registrada em 30 de agosto de 2024. Já a segunda, de R$ 5,5 mil, ocorreu em 1º de setembro de 2024, totalizando os R$ 10 mil declarados na prestação de contas da campanha.

Ex-secretário foi preso pela Polícia Civil

Leandro Gabrigna comandava a Secretaria Municipal de Planejamento, Obras e Serviços desde o início da gestão Telma Spera até ser preso na segunda-feira, 13 de julho, durante a segunda fase da Operação “Veritas Vincit”. Segundo a Polícia Civil, ele é investigado como um dos possíveis mandantes do crime cometido contra o vereador Fernando Sirchia, presidente da CPI dos Combustíveis.

Operação da Polícia Civil prendeu 4 pessoas – Foto: Divulgação

Paralelamente, Gabrigna também figura entre os principais investigados pela comissão parlamentar que apura supostas irregularidades no abastecimento da frota municipal.

Após a prisão, a Prefeitura de Assis publicou a exoneração de Leandro do cargo de secretário municipal. Também foram exonerados de funções de confiança outros dois servidores da Secretaria de Obras que foram conduzidos pela Polícia Civil para prestar depoimento durante a operação.

Gabrigna já havia sido alvo de sindicância e CPI em 2022

O nome de Leandro Gabrigna já havia sido alvo de investigações relacionadas ao abastecimento da frota municipal anos antes da atual CPI dos Combustíveis.

Em abril de 2022, durante a gestão do então prefeito José Fernandes, a Prefeitura de Assis instaurou uma Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar possíveis irregularidades envolvendo o abastecimento de veículos das secretarias municipais de Obras e Educação.

Segundo apuração do Portal AssisCity, a investigação teve início após o então secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, Fábio Nossack, receber o relato de um servidor de que os cartões de abastecimento das máquinas e veículos da pasta estariam sob a posse de Leandro Gabrigna, que naquele período encontrava-se de férias. Diante da denúncia, Nossack e Alcides Martins, que na época era o responsável pelo gerenciamento e controle do sistema de cartões de abastecimento dos veículos oficiais, formalizam junto ao Gabinete do Prefeito um pedido de abertura de PAD para apurar os fatos.

Conforme os documentos da época, uma das suspeitas era de que Gabrigna mantinha em sua posse cartões de abastecimento vinculados aos motoristas da frota e realizava abastecimentos utilizando as senhas desses servidores em determinados períodos do mês. As informações passaram a ser objeto de investigação administrativa.

Como medida cautelar, Gabrigna foi afastado das atividades que exercia na Secretaria de Obras e permaneceu cedido ao Consórcio Intermunicipal do Vale do Paranapanema (CIVAP) nomeado no dia 30 de março de 2023, por meio da Portaria nº 007/2023, como responsável pelo Controle Interno do consórcio, função exercida como servidor efetivo cedido pela Prefeitura de Assis.

Além do PAD instaurado pelo Executivo, a Câmara Municipal também abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. A comissão foi presidida pelo então vereador Tenente Gênova, tendo Rogério Nascimento como relator e Pastor Edinho como membro. No entanto, as investigações não resultaram em punições públicas conhecidas e perderam força ao longo dos anos.

Já o PAD aberto pelo Executivo para apurar as supostas irregularidades não conseguiu concluir os trabalhos antes do término do mandato. Com a posse da prefeita Telma Spera, em janeiro de 2025, o PAD passou a ser conduzido pela nova administração. Naquele mesmo ano, Gabrigna foi nomeado secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, tornando-se um dos principais integrantes do governo.

O tema voltou ao centro do debate em 2026, com a instalação da atual CPI dos Combustíveis, que passou a investigar novas denúncias relacionadas ao abastecimento da frota municipal e novamente colocou o nome de Leandro Gabrigna entre os principais investigados da comissão. Paralelamente, ele também passou a ser investigado pela Polícia Civil como um dos possíveis mandantes do crime praticado contra o vereador Fernando Sirchia, presidente da CPI.

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