A família da auxiliar administrativa Renata Barreto Bastos, de 37 anos, moradora de Assis, faz um apelo para que a paciente seja transferida com urgência para a Santa Casa de Misericórdia de Marília, hospital de referência em nefrologia. Internada há quase três meses no Hospital Regional de Assis, ela enfrenta um quadro de insuficiência renal, realiza sessões de hemodiálise e, segundo os familiares, teve seu estado de saúde agravado nas últimas semanas.

Em entrevista ao Portal AssisCity, a prima de Renata, Gabriela Afonso Carrara, afirmou que a família já tentou buscar ajuda por diferentes meios, mas entende que, diante da evolução do quadro clínico, a transferência se tornou prioridade. “Hoje, o que a gente mais precisa é que seja feito o pedido de transferência para um hospital de referência em nefrologia. A Renata precisa desse tratamento em Marília. A gente está correndo contra o tempo. Cada hora faz diferença“, afirmou.

Segundo Gabriela, o objetivo da família ao tornar o caso público não é apenas denunciar as supostas falhas no atendimento, mas mobilizar as autoridades para que a paciente receba assistência especializada. “Nós queremos saber quais providências foram tomadas depois das denúncias e queremos que ela seja transferida o quanto antes. O nosso medo é perder a Renata por falta de uma assistência adequada.”

Família relata série de episódios durante a internação

Conforme a família, Renata foi internada após apresentar problemas gastrointestinais e, durante a investigação médica, foi diagnosticada com insuficiência renal. Desde então, passou a realizar hemodiálise, porém o quadro evoluiu com outras complicações, incluindo comprometimento do fígado, infecções, lesões na pele e perda acentuada de massa muscular.

Gabriela relata que, ao longo da internação, diversos episódios reforçaram a preocupação da família. Em 1º de junho, Renata enviou um áudio informando que havia caído da cama devido à fraqueza nas pernas. Segundo ela, um paciente idoso que dividia o quarto precisou ajudá-la a retornar para a cama.

Dias depois, a paciente apresentou uma intensa reação cutânea. Inicialmente, familiares acreditaram tratar-se de dengue, mas posteriormente foram informados de que as lesões seriam decorrentes de uma reação alérgica a um antibiótico.

Ainda segundo a prima, em meados de junho, Renata precisou pedir que os próprios familiares levassem pomadas para tratar assaduras e feridas que surgiram durante a internação.

Visita reforçou preocupação da família

O episódio que mais chamou a atenção da família ocorreu durante uma visita realizada por Gabriela no dia 26 de junho.

Segundo ela, encontrou Renata tentando se alimentar sozinha, mas sem forças para levar o garfo até a boca. “Quando cheguei, ela estava com comida espalhada pelo peito e pela cama. Ela simplesmente não conseguia levar o alimento até a boca. Eu sentei ao lado dela e dei comida. Depois de poucas colheradas, ela disse que não conseguia mais.”

Após a visita, Gabriela procurou a equipe de enfermagem para questionar a ausência de fisioterapia. “Perguntei como uma paciente que já não andava mais e nem conseguia comer sozinha não estava fazendo fisioterapia. O enfermeiro disse que não havia indicação. Enquanto conversávamos, uma fisioterapeuta ouviu e disse que nem sabia que a Renata estava naquele estado e que passaria a acompanhá-la.

Queda durante banho agravou situação

Na última quarta-feira, dia 1º de julho, conforme relato do esposo da paciente à família, Renata sofreu uma queda durante o banho, bateu a cabeça e precisou ser encaminhada ao Centro de Terapia Intensiva (CTI). Ela apresentou febre, diarreia e confusão mental.

No dia seguinte, retornou ao quarto, mas sofreu um desmaio e continuava bastante debilitada.

Segundo Gabriela, o marido de Renata enviou um áudio aos familiares pedindo ajuda urgente. “Ele disse que, se ela continuasse daquele jeito, ela iria morrer. Foi um pedido de socorro que nos marcou muito.”

“Ela quer viver”

Para Gabriela, o momento exige rapidez. “A Renata tem apenas 37 anos. Ela quer viver. Ela chegou a pedir ajuda para não morrer. É por isso que resolvemos tornar essa história pública.”

A família informou que todo o material reunido, incluindo áudios, fotografias, vídeos e mensagens, será encaminhado ao Ministério Público.

Hospital ainda não se manifestou

O Portal AssisCity entrou em contato com o CEJAM, entidade responsável pela gestão do Hospital Regional de Assis, e com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, solicitando esclarecimentos sobre o atendimento prestado à paciente, as medidas adotadas diante das denúncias da família e a possibilidade de transferência para um hospital de referência em nefrologia.

Até a publicação desta reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo retornou o contato com a nossa reportagem informando que as informações estão sendo checadas e que, em breve, enviarão uma nota atualizando sobre o caso da paciente. O espaço permanece aberto para manifestação, e esta matéria será atualizada assim que os órgãos encaminharem um posicionamento oficial.

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