Um dia após a Câmara Municipal de Assis arquivar o projeto de lei que pretendia obrigar a Prefeitura a obter autorização do Legislativo antes de terceirizar a coleta de lixo, o vereador Fernando Kiko (União Brasil) voltou a criticar a proposta do Executivo.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, do Portal AssisCity, nesta terça-feira, dia 7 de julho, o parlamentar afirmou ser contrário à terceirização porque, segundo ele, as informações fornecidas pela própria Prefeitura em respostas a requerimentos apresentados à Câmara não demonstram a necessidade da mudança.
Frota atual seria suficiente, afirma vereador
Segundo Fernando Kiko, uma das respostas encaminhadas pela Prefeitura ao Requerimento nº 438/2025 informa que o município possuía 11 caminhões coletores em operação e outros três veículos sobressalentes, com idade média de aproximadamente dez anos.
“O requerimento perguntou quantos caminhões estavam disponíveis para a coleta. A resposta foi: 11 caminhões e três caminhões sobressalentes. Coincidentemente, hoje são 11 rotas de coleta na cidade de Assis. Temos 11 caminhões, 11 rotas e três caminhões reservas. É suficiente para continuar fazendo do mesmo jeito“, argumentou.
Para o vereador, essas informações entram em conflito com a justificativa apresentada posteriormente pela Prefeitura para defender a terceirização.
Prefeitura admitiu que não havia estudo concluído
Outro ponto destacado pelo parlamentar foi a resposta ao Requerimento nº 606/2025, em que questionou se existiam estudos técnicos que justificassem a terceirização. Segundo Kiko, o Executivo respondeu que os estudos ainda estavam em andamento e possuíam caráter apenas avaliativo.
“Quando perguntei qual era a justificativa técnica e econômica, a resposta foi que os estudos estavam em andamento. Depois perguntei se existia estudo técnico, plano de viabilidade ou minuta do edital, e a Prefeitura respondeu que não havia documento formal concluído, porque o projeto ainda estava em fase de elaboração.”
“Com R$ 600 mil por ano compra um caminhão por ano”
Fernando Kiko também questionou a diferença entre o custo atual da coleta e o valor estimado pela Prefeitura para a futura terceirização. O vereador lembrou que o secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, Leandro Gabrigna, informou recentemente que o município gasta atualmente entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,6 milhão por mês com a coleta de lixo, enquanto a futura licitação trabalha com um valor de referência entre R$ 2 milhões e R$ 2,1 milhões mensais.
Para Kiko, esse aumento não se justifica.”O secretário mencionou que sairíamos de um custo de aproximadamente R$ 1,5 milhão para R$ 2,1 milhões. São R$ 600 mil a mais.”
Na avaliação do parlamentar, esse valor poderia ser investido na renovação gradual da própria frota municipal. “Seiscentos mil reais a mais é praticamente um caminhão. Se é por ano, compra um caminhão em 2026, outro em 2027, outro em 2028. Em poucos anos teríamos caminhões novos rodando na cidade, sem necessidade de terceirizar o serviço.”
O vereador defende que a Prefeitura apresente estudos técnicos detalhados demonstrando que a terceirização representa vantagem econômica para o município antes de dar continuidade ao processo licitatório.










