O final de ano violento ganhou mais um triste capítulo na tarde de ontem. Assim como na semana passada – quando um vigilante matou um cunhado, atirou em outros dois e depois se matou por não aceitar o fim do casamento, – na tarde de ontem o desempregado Leone da Silva, 31, executou a estudante Graziela Marques de Oliveira, 17, com quem teria um envolvimento amoroso.
A motivação, desta vez, foi uma suposta gravidez. A vítima recentemente assumiu um namoro, deixando o caso com seu assassino de lado.
O novo romance já renderia frutos. Segundo relatos de vizinhos colhidos por policiais, a adolescente estaria com poucas semanas de gestação.
Graziela estava na casa da família, localizada na rua Maestro Floriano de Souza, no Jardim Califórnia, zona oeste. Ela residia com o padrasto, o pedreiro Ivan Roberto da Silva, 34. Em uma edícula nos fundos, morava Leone. Mesmo não tendo laços sanguíneos, a relação entre eles sempre foi de sobrinha e tio.
“De uns tempos para cá, notei que ele andava pegando muito no pé dela, mostrando ter muito ciúmes. Achava estranho, me disseram sobre um caso entre eles, mas não posso afirmar nada. Só sei que logo após que ela começou a namorar, ele até a ameaçou”, conta o padrasto da jovem. A mãe da vítima faleceu em meados de 2009.
Tiros foram a queima roupa
Ontem, por volta das 14h15, armado com um revólver calibre 38, Leone encontrou com Graziela na área que separa a casa da edícula, sacou a arma e atirou duas vezes, ambos os tiros dados a queima roupa. O primeiro disparo acertou a boca; o seguinte, a nuca. A jovem morreu na hora.
Friamente, o assassino escalou a casa e subiu no telhado da residência, ficando de frente para a rua. Lá, de acordo com o padrasto da jovem, ele gritou: “ela provocou tudo isso”. Em seguida, colocou o revólver na boca e atirou. Seu corpo caiu na casa vizinha. Ainda com vida, Leone foi socorrido ao Hospital das Clínicas, onde faleceu no final da tarde.
Os corpos foram encaminhados ao IML (Instituto Médico-Legal) e laudos, inclusive sobre a possível gravidez da jovem, devem ser enviados à Polícia Civil em 30 dias. Até o fechamento desta edição, não havia confirmação quanto ao horário de sepultamento da vítima e homicida. O caso foi remetido ao 4º DP, que investiga.
Homicídio é o 20º
O assassinato da estudante Graziela Marques de Oliveira, 17, é o 20º registrado no ano na cidade. Do total de homicídios, a motivação mais frequente foi justamente a do caso registrado ontem: passional, com seis registros. Acidentes de trânsito registrados como homicídios dolosos (quando há intenção de matar), foram seis.
Nos demais assassinados, dois aconteceram pela “Guerra do Tráfico” na zona sul da cidade, um por briga de bar, um por vingança e um em confronto com a Polícia Militar. Nas outras quatro mortes, em três delas sequer a identificação da vítima. Na restante, a motivação ainda é desconhecida. Dois casos já foram apreciados pela Justiça. Em um, a ré foi absolvida por legítima defesa. No outro, dupla que agiu foi condenada.









