24 de Junho de 2021
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Psicóloga e advogadas de Assis alertam sobre os perigos da internet para menores

Criminosos conhecem as artimanhas para agradar crianças e adolescentes

Com a era digital em alta, e maior permanência em frente aos meios digitais em função da pandemia, as redes sociais e jogos eletrônicos, além de aplicativos, se tornaram o local ideal para criminosos que utilizam da inocência dos menores para práticas de crimes.

Sendo assim, muito se discute sobre os perigos que a internet pode acarretar principalmente para crianças e adolescentes. Infelizmente, muitas pessoas utilizam algo feito para auxiliar no dia a dia de uma maneira criminosa. Adultos que se passam por pessoas menores de idade para conversar e tentar algo daquele menor, que o beneficie de alguma maneira, ato conhecido como pedofilia virtual.

Os aplicativos procurados por esses criminosos são aqueles em que as crianças possuem acesso, postam vídeos, fotos e têm a opção de bate-papo, como o Instagram e o TikTok. Além disso, existe o fator do cyberbullying, que ocorre quando pessoas são atacadas por outra em relação a sua imagem, performance ou número de seguidores.

Para entender melhor essa dinâmica que enfeitiça e alucina crianças e adolescentes, o Portal AssisCity aborda duas áreas estritamente vinculadas a essa situação: a da psicologia e a do direito.
Na área da psicologia a reportagem do AssisCity conversou com a psicóloga clínica Karoline Prado e na área do direito com as advogadas Ana Laura Reganim e Andressa Pagliarini.

A PSICOLOGIA

O ataque, por meio da internet, seja ele de qual forma for, pode levar a criança e o adolescente a desenvolverem uma sequência de distúrbios emocionais.
"Hoje em dia tem um problema em relação a esses aplicativos que é a falta de consciência da idade dos usuários que desde pequenos sabem mexer nas telas de celular. Não existe um controle do aplicativo com quem acessa e muitos mentem suas idades. Quanto ao cyberbullying, os jovens que costumam sofrer esses ataques, podem desenvolver falta de aceitação, transtornos, depressão entre outros fatores", explica a psicóloga clínica Karoline Prado.

Uma maneira de evitar que casos como esse aconteçam, segundo Karoline, é que os pais tenham mais controle sobre o acesso dos filhos e os ensinem sobre os perigos que a internet oferece.
"A melhor forma de minimizar os riscos é dar suporte diário aos filhos e participar da vida deles através do diálogo, principalmente com crianças de 10 à 12 anos. É importante essa abertura entre pais e filhos para que eles se conheçam e contem caso tenham passado por essas situações", alerta a psicóloga.

Divulgação - Karoline é psicóloga clínica
Karoline é psicóloga clínica


O DIREITO

Devido ao fato do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não poder interferir nesses aplicativos, muitos se ocupam desse fator e criam seus perfis falsos. Porém, vale afirmar que o compartilhamento de fotos e vídeos que expõem crianças é um ato criminoso, como explicam as advogadas Ana Laura Reganim e Andressa Pagliarini.

"De acordo com a lei nº 11.829 do ECA, várias atividades relacionadas à pornografia infantil são crimes com penas que variam entre um e oito anos além de multa. Ou seja, tanto a produção, armazenamento e compartilhamento são atos criminosos", afirmam as advogadas.

A facilidade para criar contas falsas facilita não somente o acesso dos menores que mentem a idade para serem aceitos, mas, muito mais que isso, que muitos pedófilos se aproveitem dessa condição para que suas identidades não sejam reveladas. E, assim, agem na vida das crianças e adolescentes, pois bem conhecem a artimanha para agradá-los.

"Através da inocência das crianças e da linguagem utilizada na internet, eles conseguem atraí-las muitas vezes facilmente e conseguem sua confiança", explicam as advogadas.

Divulgação - Ana Laura e Andressa advogadas
Ana Laura e Andressa advogadas


DADOS DE ABUSO

De acordo com dados recentes da Organização dos Advogados do Brasil (OAB), do Rio Grande do Sul, cerca de 320 crianças e adolescentes são abusados sexualmente por dia no país, número que representa 70% dos casos de abuso sexual em território nacional.

Esses números estão diretamente relacionados à entrada e ao avanço da internet nos lare. No Brasil, 85% das crianças e adolescentes são usuárias da rede, de acordo com pesquisa feita pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância.

HOMENAGEM
Essa reportagem é uma homenagem à psicóloga Maria Flávia Camoleze, que trabalhava com crianças e adolescentes e havia aceitado o convite do Portal AssisCity em conversar com nossa equipe de reportagem para tratar exatamente desse assunto. Porém, ela faleceu de maneira trágica na madrugada do sábado, quando seria realizada a entrevista. A ela o nosso muito obrigado 'póstumo'.
Redação AssisCity
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