Uma vendedora de 32 anos que passava pela Rua Sebastião Leite do Canto, em Assis, foi peça fundamental para salvar a vida de uma mulher e de sua filha de dois anos, vítimas de agressão na manhã da última terça-feira, 1º de julho. Em entrevista exclusiva ao Portal AssisCity, a motorista relatou os minutos de terror que presenciou e como decidiu intervir diante da cena de violência.
“Eu estava voltando de Cândido Mota, da casa dos meus pais, e quando passei por ali vi que estava tendo uma briga. Liguei para a Polícia Militar na hora, sem saber ainda que era um homem agredindo uma mulher”, contou. “Quando cheguei mais perto, vi que ela estava toda machucada e havia uma criança chorando muito. Comecei a seguir os dois.”
A motorista, que estava acompanhada das suas duas filhas no veículo, relata que o agressor segurava a criança enquanto a mãe implorava para ele soltá-la. “Ela conseguiu tomar a menina dele e saiu correndo. Eu abri a porta do meu carro e falei: ‘entra aqui que eu te ajudo’”
Após o acolhimento, ela desceu a rua com a vítima e, com a ajuda de vizinhos, se manteve em segurança até a chegada da Polícia Militar. Segundo ela, o agressor foi até a casa da mãe da vítima após a agressão, onde foi detido.
A vítima não quis ir com a polícia para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por medo, segundo a motorista. “Ela me disse que estava com medo de ir com a PM por ele ser bombeiro. Então eu mesma levei ela e a filha para a UPA. A polícia nos acompanhou com uma viatura na frente e outra atrás”, contou.
A motorista, que até então não conhecia a mulher, afirma que continua mantendo contato com ela até hoje. “Tenho perguntado como ela e a filha estão. A menina estava muito abalada, chorando muito. Ela me contou depois tudo o que passou.”
Sobre a decisão de intervir, ela foi enfática: “Eu sou mãe. Jamais ia fingir que nada estava acontecendo. Essa história de ‘briga de marido e mulher ninguém mete a colher’ não existe. Eu meto sim. Porque ali tinha uma criança e ele ia matar ela, era isso que parecia. Ele batia muito nela e ela tentava proteger a filha. Ela estava apanhando muito. Eu não ia deixar ele matar ela ali”, frisou.
Apesar do flagrante, o bombeiro foi liberado após audiência de custódia, com uma medida protetiva concedida à vítima – a notícia da soltura indignou a motorista. “Fiquei revoltada. Ele continua trabalhando como se nada tivesse acontecido. Aqui no Brasil, só prendem de verdade quando matam. E se ele tentou uma vez, tentou outra, ele vai tentar de novo.”
A mulher também demonstrou frustração com a sensação de impunidade. “Queria poder ajudar mais, fazer com que ele ficasse preso por tudo que fez. Mas infelizmente não está na minha alçada.”
O caso foi registrado como violência doméstica e lesão corporal. A vítima relatou ao AssisCity que já havia fugido anteriormente de casa com a filha nos braços por não suportar mais as agressões. Desde a agressão desta semana, ela está escondida com a filha por medo de que o agressor volte a atacá-las.
O Portal AssisCity procurou o bombeiro citado para que pudesse se manifestar sobre o caso, mas até o momento não obteve retorno. Imagens de câmeras de segurança próximas ao local registraram a ação e devem contribuir para esclarecer o que aconteceu. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

