Em entrevista concedida à imprensa na manhã desta terça-feira, dia 10 de fevereiro, Telma Spera comentou publicamente sobre o encerramento do convênio entre a Santa Casa de Assis e a Unidade de Pronto Atendimento “UPA Rui Silva”. O contrato termina oficialmente no dia 10 de março e, a partir dessa data, a unidade passará a ser administrada diretamente pela Prefeitura de Assis, por meio da Secretaria Municipal da Saúde.
Durante a entrevista, a prefeita evitou entrar em detalhes sobre o processo de transição entre a Santa Casa e o município. Segundo ela, há um pacto firmado entre as instituições para que o processo ocorra de forma “tranquila, transparente e cuidadosa”, especialmente em relação às equipes que atuam na unidade.
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Apesar do “pacto de silêncio”, a prefeita fez questão de enaltecer o trabalho desenvolvido pela entidade filantrópica durante o período de gestão da UPA.
Decisão pela gestão direta
Questionada sobre os motivos que levaram a Prefeitura a assumir diretamente um serviço considerado de alta complexidade, Telma Spera explicou que a decisão faz parte de um planejamento maior da atual gestão, que prevê a unificação da rede municipal de urgência e emergência.
Segundo ela, a administração direta permitirá maior controle sobre os serviços, padronização de protocolos e integração entre a UPA, o Pronto Atendimento Maria Isabel e a Santa Casa.
“Quando a cidade vira uma torre de Babel, ela não avança. Precisamos de uma linguagem única na saúde. A atenção básica, a urgência e a emergência precisam falar a mesma língua”, afirmou.
Na entrevista, a prefeita comenta que a gestão da Santa Casa era o plano A do Executivo para resolver o problema da UPA, mas que “não foi a adiante por motivos que, nesse momento, não são necessários de serem colocados por conta de todo o nosso pacto” e ressaltou que, com a gestão própria, o município deixará de ter um intermediário na administração da unidade. “Nós temos aqui o plano B, e o plano B é um plano muito bom, onde nós vamos ter controle da situação. Então, eu deixo de ter o terceiro, e eu vou ter o comando direto sobre a situação. Isso pode fazer muita diferença”, disse, demonstrando otimismo com o novo modelo.
Custos e financiamento da UPA
Durante a entrevista, Telma Spera detalhou os custos mensais da UPA de Assis e explicou que o valor repassado pelo Ministério da Saúde não leva em conta apenas a população do município. Segundo a prefeita, os cerca de R$ 300 mil mensais enviados pelo governo federal são calculados com base na valoração e no número de habitantes de cinco municípios que têm a UPA de Assis como referência pré-hospitalar.

Além de Assis, utilizam a unidade os municípios de Florínea, Pedrinhas Paulista, Tarumã e Platina. Apesar disso, Telma não informou, em valores, quanto cada um desses municípios contribui financeiramente para o custeio da unidade.
De acordo com a prefeita, o custo total da UPA chega a aproximadamente R$ 1,184 milhão por mês, sendo que mais de R$ 800 mil são bancados com recursos próprios da Prefeitura de Assis.
“Esse valor federal é insuficiente. A diferença sai do cofre municipal porque optamos por um serviço melhor do que o mínimo preconizado pelo Ministério da Saúde”, explicou.
Novos serviços anunciados
Na entrevista, a prefeita anunciou que a nova gestão da UPA deve trazer avanços, como a inclusão de assistente social, psicólogo, fisioterapeuta e a implantação de uma farmácia 24 horas dentro da unidade, inclusive para fornecimento de medicamentos durante a madrugada e aos fins de semana. No entanto, Telma fez questão de frisar que os medicamentos da farmácia 24h serão disponibilizados exclusivamente para moradores de Assis, já que o custeio será feito com recursos do município.
No entanto, a prefeita não detalhou como será organizado o atendimento dos demais serviços anunciados — como assistência social, psicologia e fisioterapia — em relação aos pacientes encaminhados pelos municípios da região que utilizam a UPA como referência. Também não foi esclarecido se haverá algum tipo de diferenciação ou limitação nesses atendimentos.
Outro ponto destacado foi a forma de contratação dos profissionais. Segundo a prefeita, neste primeiro momento, a Prefeitura não terá alternativa senão realizar as contratações por meio de licitações, uma vez que o município não possui atualmente nenhum concurso público aberto.
“Nós vamos ter que fazer as contratações por meio de licitação. Depois, com o passar do tempo, vamos acompanhando e, obviamente, vamos ter que trabalhar a questão dos concursos”, afirmou.

Telma também destacou que será criado um conselho gestor para comandar as atividades da unidade e que a Prefeitura estuda a criação de ouvidorias próprias tanto na UPA quanto no Pronto Atendimento do Maria Izabel. “Os vereadores têm seu papel, mas não queremos que eles sejam a primeira linha. Isso é uma diretriz do meu governo”, afirmou.
Contexto
Após pressão da população e dos vereadores, que usaram a tribuna na 1º sessão legislativa de 2026 para questionar a indefinição do contrato, o fim do convênio foi anunciado oficialmente pela Santa Casa de Assis na última quinta-feira, dia 5 de fevereiro, por meio de nota, na qual a entidade informou que não renovaria o contrato de gestão da UPA, vigente desde março de 2025. A decisão foi motivada principalmente por dificuldades financeiras e pelo déficit nos repasses do SUS.
Apesar do encerramento da parceria, Prefeitura e Santa Casa afirmam manter diálogo permanente e garantem que a transição ocorrerá sem prejuízos ao atendimento da população.










