23 de Outubro de 2020
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Caso Mariana Bazza: mãe de universitária estuprada e morta desabafa um ano após o crime: ‘Tanta saudade’

Jovem de 19 anos desapareceu no dia 24 de setembro de 2019 após receber ajuda para trocar pneu do carro em Bariri (SP). Corpo foi achado no dia seguinte em um canavial; rapaz que trocou o pneu foi condenado a mais de 40 anos de prisão

A mãe da universitária Mariana Bazza, que foi estuprada e morta em Bariri (SP) há um ano, usou as redes sociais nesta quinta-feira (24) para homenagear a filha e desabafar sobre a saudade que tem dela.

Mariana desapareceu na manhã do dia 24 de setembro de 2019 depois de receber ajuda de Rodrigo Pereira Alves, condenado a mais de 40 anos de prisão pelo crime, para trocar o pneu do carro. O corpo dela foi encontrado em um canavial no dia seguinte, em Ibitinga.

Divulgação - Mãe da universitária de Bariri fez uma postagem em homenagem a filha um ano após o crime — Foto: Facebook/ Reprodução
Mãe da universitária de Bariri fez uma postagem em homenagem a filha um ano após o crime — Foto: Facebook/ Reprodução


Em seu perfil nas redes sociais, Marlene Forti Bazza, falou sobre o ano sem filha e desabafou.

"Foi um ano difícil, doloroso, sem vontade de nada. E meus pensamentos são só para você”, diz na postagem. A dona de casa também falou sobre a saudades da filha.

"A mãe pede a Deus que você fique bem. Se às vezes caio em choro é de tanta saudade. Não quero que sofra. Sorria, filha. Seja feliz."

Em entrevista ao G1 após a condenação de Rodrigo, em agosto desse ano, Marlene disse que mantém o quarto da filha da forma como ela deixou quando saiu para ir na academia.

Mariana foi abordada por Rodrigo quando saia da academia. Ele ofereceu ajuda para trocar o pneu que, segundo as investigações sobre o crime, ele mesmo teria murchado para se aproximar da jovem.

Rodrigo foi condenado a 40 anos, 10 meses e 18 dias de prisão pelos crimes de latrocínio, estupro e ocultação de cadáver. A sentença proferida no dia 25 de agosto foi em primeira instância e cabe recurso.

Divulgação - Rodrigo troca pneu do carro da vítima antes do crime (esquerda) e foto da vítima (direita) — Foto: TV TEM/Arquivo Pessoal
Rodrigo troca pneu do carro da vítima antes do crime (esquerda) e foto da vítima (direita) — Foto: TV TEM/Arquivo Pessoal


Seis dias depois, em 31 de agosto, o Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça pedindo o aumento da pena de Rodrigo.

O TJ-SP informou que o caso segue em segredo de Justiça, mas que o recurso será analisado por uma das câmaras criminais e não há uma previsão de data para análise.

Durante todo o processo, Rodrigo esteve preso na penitenciária de Serra Azul, onde permanece até hoje. Ele participou de duas audiências do julgamento, a última delas feita por videoconferência por conta da pandemia do coronavírus.

O G1 tentou contato com o advogado de defesa do Rodrigo, Evandro Demétrio, porém não teve retorno até a publicação da reportagem.

Assassinato da jovem

Mariana desapareceu após sair da academia onde frequentava, em Bariri, no dia 24 de setembro de 2019, e receber ajuda de Rodrigo Pereira Alves para trocar o pneu do carro. Ela foi encontrada morta um dia depois em uma área de canavial em Ibitinga.

Rodrigo foi preso em Itápolis (SP) e denunciado pelo Ministério Público por estupro, latrocínio e ocultação de cadáver. A denúncia foi aceita pela Justiça no dia 10 de outubro.

De acordo com a denúncia do MP, Rodrigo roubou o carro, a carteira da vítima com documentos pessoais, R$ 110 em dinheiro, o celular dela e uma caixa de som. Ele também foi acusado de estupro e ocultação de cadáver.

Ainda de acordo com a denúncia, Rodrigo saiu da chácara onde trocou o pneu do carro de Mariana com o corpo dela dentro do carro. O laudo necroscópico do IML apontou que a vítima foi estuprada e morta na chácara onde o condenado fazia trabalho como pintor.

Ainda de acordo com o MP, Rodrigo é multirreincidente, pois já cumpriu pena de 16 anos por roubo, sequestro, extorsão e latrocínio tentado, e havia saído da cadeia cerca de 30 dias antes do crime contra Mariana.

Ele está preso desde o dia 25 de setembro de 2019. Inicialmente, Rodrigo foi levado para o Centro de Detenção Provisória de Bauru, mas no dia 26 de setembro foi transferido para a Penitenciária de Iaras. No dia 15 de novembro, ele foi novamente transferido, desta vez para a Penitenciária II de Serra Azul.

Divulgação - Rodrigo ficou preso desde o dia do crime, em 25 de setembro de 2019, em Bariri — Foto: TV TEM/Reprodução
Rodrigo ficou preso desde o dia do crime, em 25 de setembro de 2019, em Bariri — Foto: TV TEM/Reprodução


Crime premeditado

Uma câmera de segurança da academia que Mariana frequentava registrou quando Rodrigo se aproximou do carro da vítima e ficou encostado nele durante alguns minutos. (veja abaixo.)

Nesse momento, segundo a polícia e o MP, Rodrigo murchou o pneu do carro para, depois, oferecer ajuda.

Cerca de meia hora depois, quando a jovem saiu da academia e encontrou o pneu vazio, Rodrigo, que estava do outro lado da avenida, começou a gritar para alertar sobre o problema — apesar dele não ter visão nenhuma do pneu vazio, o que reforçou a teoria de que ele premeditou o crime.

Segundo o relato da amiga da vítima Heloísa Passarello, Rodrigo atravessou a avenida falando sobre o problema e insistindo para que ela aceitasse ajuda.

Nas imagens, é possível ver que Rodrigo e Mariana conversam, quando ele então atravessa a avenida e entra em uma chácara, onde ele trabalhava como pintor.

A amiga de Mariana então deixa o local, e Rodrigo volta e conversa mais um pouco com Mariana, até que ela entra no carro, faz a volta na avenida e entra na chácara com o veículo.

Divulgação - Imagem mostra Rodrigo abordando Mariana Bazza e amiga dela na frente de academia — Foto: Reprodução/TV Globo
Imagem mostra Rodrigo abordando Mariana Bazza e amiga dela na frente de academia — Foto: Reprodução/TV Globo


No imóvel, o suspeito trocou o pneu do carro de Mariana. A jovem chegou a fazer uma foto dele trocando o pneu e mandou para o namorado.

Após a ajuda, o carro de Mariana apareceu no vídeo deixando a chácara. A polícia diz que Rodrigo estava na direção do veículo.

Além da foto, Mariana também mandou mensagens ao namorado. O G1 teve acesso à conversa entre Mariana e Jefferson Vianna.

Nas mensagens enviadas pelo aplicativo WhatsApp, é possível ver que a universitária avisa sobre o pneu furado, os procedimentos que estavam sendo feitos e que recebia ajuda do suspeito.

Mariana e o namorado mantiveram contato até 8h36 do dia em que ela sumiu, 24 de setembro de 2019. Uma das últimas mensagens da jovem foi "terça-feira pesada".
G1
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