Em 06 de janeiro, dia que na tradição cristã os Reis Magos chegaram para saudar Menino Jesus na manjedoura, período que a Igreja Católica comemora a Epifania do Senhor, se meu pai (Antônio José Soares da Silva) estivesse vivo completaria 64 anos de idade.

Dentre as explicações sobre a morte, a que mais chama atenção é a lenda que diz que havia na floresta um casal piedoso e religioso. Com eles vivia seu único filho. O ofício do pai era caçador, portanto ficava dias fora de casa. Certa vez o filho foi atacado e morto por feras selvagens na floresta. A mãe pediu que Deus ajudasse a comunicar a perda ao pai. Na chegada do pai à mãe disse: – Velho! Suponha que Deus lhe desse uma joia preciosa, para que você cuidasse dela com carinho e amor, mas com uma condição: ele a buscaria qualquer momento. O que você faria, quando Deus visse buscar? Perguntou aflita a mãe. O pai em tom de tranquilidade disse:

– Eu devolveria a Deus. Então a mulher aliviada disse se titubear:

– Foi isso que aconteceu com o nosso querido filho, Deus veio buscar ele.

É isto que acontece quando perdemos entes queridos. Deus não se alegra com nosso sofrimento. Jamais. No entanto, pessoas entram em nossas vidas, são como joias preciosas, de grande valor, que serão levadas um dia, como foi meu pai e tantos entes queridos.

Para homenagear meu pai, transcrevo trecho da música “Pai”, com Fábio Junior. “Pai. Você foi meu herói meu bandido”. Penso que todos passam por essa situação. Quando crianças, temos nossos pais como grandes heróis, imbatíveis super-heróis. Prova disso é que bem depois de grande que admiti a terrível possibilidade do meu pai morrer. Pois como podia um super-herói morrer? A conscientização de que meu pai era finito aconteceu no mesmo período que descobri que meu pai além de herói era humano, que tinha falhas, mau humor e desafeto. Mas, nenhuma dessas “desqualificações” fez com que me decepcionasse com o meu pai.

Sempre foi e sempre será meu herói. Muitas saudades PAI.

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Saudades do meu pai

[/left]*Por Márcio Alexandre

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