07 de Outubro de 2022
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Notícias - Saúde

Uso de cigarro eletrônico entre jovens levanta alerta para sérios riscos à saúde

Modismo requer ação contínua e conjunta com campanhas educativas para os jovens, pais, educadores e órgãos de fiscalização do País

A saúde do jovem tem enfrentado uma nova ameaça: a experimentação do cigarro eletrônico. Nas escolas, a identificação por parte dos educadores é difícil. Os cigarros eletrônicos estão, a cada novo lançamento, com a aparência mais sutil e atraente. São usados no quintal de casa, em seus quartos, nas baladas, nas escolas ou são armazenados nos estojos escolares e trocados facilmente entre os colegas sem que ninguém perceba.



A Dra. Stella Martins, médica especialista em dependência química da área de Pneumologia do Programa de Tratamento do Tabagismo do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP), faz um alerta. "Atualmente há tantos disfarces nos dispositivos que existem até alguns em formato de bombinha de asma. Ou seja, o adolescente pode usar em ambientes como sala de aula e restaurante dizendo que é um tratamento sem que haja desconfiança".



O uso do cigarro eletrônico traz grandes riscos, pode causar doenças respiratórias, e aumentar a incidência de doença cardiovascular, como o infarto, e até mesmo câncer. Nos Estados Unidos, foram registrados casos de jovens que chegavam ao atendimento médico com Evali (do inglês E-cigarette, or Vaping, product use-Associated Lung Injury, injúria pulmonar relacionada ao uso de cigarro eletrônico), e que resultou em casos de lesões no órgão ou sequelas permanentes, transplante de pulmão e óbito.



Pesquisa conduzida pela Escola de Saúde Pública Bloomberg, da Johns Hopkins University, evidenciou em cigarros eletrônicos, de grandes fabricantes da indústria do tabaco, a presença de altas concentrações de cafeína, de antibióticos, anticonvulsivos, remédio para controlar os batimentos cardíacos e quantidades altas de cafeína. De acordo com o levantamento, foram encontradas substâncias usadas no tratamento de micose, fertilizantes e desinfetantes nos atrativos aromas e sabores.



A médica do InCor explica que os novos vapes estão disponíveis com quantidades expressivas de nicotina, o Sal de Nicotina, que tem novas substâncias tóxicas e não liberadas para uso inalatório por causar danos aos pulmões. "Essas substâncias nocivas estão disfarçadas de aromas e sabores atrativos, fazendo com que o desconforto do consumo, como irritabilidade na garganta, desapareça. O Sal de Nicotina é um novo problema e desafio para a saúde pública."



Segundo a especialista, o jovem consegue ingerir uma quantidade cada vez mais alta de nicotina, que chega muito mais rápido ao cérebro, ofertando grande prazer. A quantidade elevada da substância inalada via cigarro eletrônico pode levar à dependência rapidamente. "O uso é bastante perigoso devido à rapidez que a dependência se instala, fazendo com que o jovem queira aumentar seu consumo e, quando tenta parar, sinta muita irritação, ansiedade e um intenso desejo de fumar continuamente. Atualmente, os usuários têm consumido o equivalente a um maço de cigarro por dia em poucas semanas com os cigarros de modalidade eletrônicas. No cigarro tradicional isso levava anos para acontecer."



A médica alerta também sobre o mercado paralelo. "O refil destes dispositivos tem custo elevado e, por questões financeiras em países onde a comercialização é permitida, muitos jovens acabam recorrendo ao mercado clandestino ou migram para o cigarro tradicional".



Dra. Stella afirma que as essências colocadas nos produtos do mercado paralelo usam substâncias perigosas, como o THC e o acetato de Vitamina E, que, ao serem aspirados, danificam os pulmões pela formação de depósitos de gordura. Outro risco apontado pela Dra. Stella é o comprometimento do desenvolvimento e da maturação cerebral que completa a sua formação por volta dos 21 anos de idade. O lóbulo pré-frontal do cérebro dos jovens sofre com a presença de altas concentrações de nicotina. A região é responsável pela tomada de decisões, do discernimento de certo e errado, organização, e realização de planejamentos, por exemplo.



"A venda, comercialização e publicidade dos dispositivos para fumar são proibidas no Brasil, de acordo com uma resolução de 2009 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Por isso, é importante que a fiscalização seja intensificada. Mas os pais, educadores e responsáveis precisam intervir diretamente acompanhando esses usuários que podem não saber dos riscos de tal mal", conclui Dra. Stella.
Assessoria Incor
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