O silêncio institucional fala tão alto quanto qualquer pronunciamento. A operação que resultou na prisão de um secretário municipal e de outros servidores colocou Assis diante de uma das mais graves crises político-administrativas de sua história.

Ninguém pode ser condenado antes do devido processo legal. A presunção de inocência é um princípio inegociável.

Mas a população também tem direito a respostas de quem governa.

A falta de um posicionamento institucional da prefeita, aliada à aparência de normalidade e ao silêncio de parte dos vereadores, beira o incompreensível diante da gravidade do momento.

Uma entrevista coletiva com os meios de comunicação ou um pronunciamento oficial bastariam para responder à pergunta que hoje ecoa entre os assisenses: o que pensa a prefeita sobre tudo isso?

UM SILÊNCIO RECORRENTE

Até aqui, o silêncio não produz serenidade, mas dúvidas. O que a prefeita sabe sobre os fatos? Que providências administrativas adotou além das exonerações? Como pretende restabelecer a confiança da população?

Na suspensão do contrato milionário da UPA e no caso IEDA, a prefeita também levou algum tempo para apresentar sua versão, período em que os questionamentos se intensificaram. O ciclo parece se repetir.

Na Câmara, a Comissão Processante sobre supostas irregularidades na UPA foi rejeitada. Comemorada como vitória pela gestão, a votação apertada por 8 votos a 6 expõe a divisão política em torno do tema e mostra que os questionamentos ainda permanecem.

E permanecem, em parte, pela percepção de que ainda há dúvidas sobre explicações técnico-administrativas mais detalhadas, enquanto o debate público também passou a envolver a alegação de suposta perseguição política.

As polêmicas se acumulam. Que mecanismos de fiscalização interna estão sendo adotados para evitar novas dúvidas sobre a administração?

A HORA DA LIDERANÇA

A prefeita é reconhecida pelo carisma. Foi assim que construiu sua campanha e conduz a gestão: presente nos bairros, próxima da população, acessível.

Mas por que essa mesma postura, tão presente nos tempos de louros, desaparece justamente agora, em meio à crise?

As crises exigem liderança. Quando a confiança é abalada, o povo espera que quem ocupa o comando se faça presente, dê respostas e aja com celeridade.

O RISCO DO CÁLCULO POLÍTICO

O silêncio pode gerar novo desgaste para uma gestão cujo slogan é “Juntos por um novo tempo”.

Na política, o silêncio pode ser uma estratégia; na administração pública, porém, pode ser interpretado como ausência de prestação de contas.

Assis não espera julgamentos precipitados. Espera uma palavra de comando, esclarecimento e responsabilidade institucional.

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