
Por Fabiana Stathopoulos
Em toda e qualquer explanação de algum tipo de argumentação, cabe ao que escreve estar a par do que fala. Ninguém seria “estúpido” ou “ingênuo” ao ponto de escrever e expor o que escreve sem, ao menos, estar a par do que se propõe.
A imparcialidade com que se tratam determinados assuntos, no caso de um artigo de opinião, por exemplo, é irrelevante dependendo do veículo ao qual se destina. Se assim não o fosse, não teríamos os editoriais de jornais como O Estado de São Paulo e A Folha de São Paulo, que expressam opiniões acerca de um assunto em nome do veículo de comunicação.
No entanto, também é sabido, principalmente pelos profissionais de comunicação, que tudo o que se argumenta de forma oral ou escrita, está estritamente ligado ao “CM”, Conhecimento de Mundo, de uma pessoa. Se for “artigo de opinião” não há como se eximir de uma dose de parcialidade opinativa em determinados assuntos e isso é garantido por artigos específicos da Lei Constitucional n.º 1/2004 de 24 de Julho.
Evidentemente, nem tudo o que se explana agrada à “gregos e troianos”, afinal de contas, como foi dito à cima, cada um traz internalizado seu conhecimento de mundo implícito em suas elocubrações. Cada um vê aquilo que quer, como quer. Isso é liberdade de expressão!
Afinal de contas, como diria Nelson Rodrigues “toda unanimidade é burra”!. Trata-se de uma frase de efeito, expressões que Nelson colecionava para nos fazer refletir, provocar polêmica, e não para encerrar discussões ou aumentar o número de lugares-comuns. A palavra “unanimidade” vem do latim unanimis. Significa, simplesmente, que duas ou mais pessoas vivem com um (unus) só ânimo (animus).
Em dados contextos, sim, a unanimidade pode ser burra. É burrice todos obedecerem cegamente a uma ordem que vem não se sabe de onde com finalidades obscuras ou inconfessáveis. Unanimidade inteligente requer a liberdade de distinguir entre o direito nosso de questionar e o dever nosso de comprometer-nos. Requer, mais ainda, a capacidade de reconhecer que podemos estar errados e a maioria estar certa…
Quando as pessoas se propõem a “dar a cara à tapa” num veículo comunicativo, deve saber o que está fazendo e ter em mente que a parcialidade e a opinião lhes cabem, à medida que o conhecimento lhe faz parte do que se propõe a escrever. Quem escreve é porque tem conhecimento de causa do que expõe; e quem expõe também se posiciona. Agora se essa opinião agrada ou não, isso já é secundário. O importante é tomarmos partido do que nos importa; é fazer valer nosso direito de concordar ou discordar do que nos impõem. E mais do que isso, sabermos respeitar o que pensa cada um, sem rechaçar ou fazer comentários que denigram aquilo ou aquele que não nos apraz. É direito adquirido ter opinião e se posicionar. Respeito é a palavra-chave!
Como diria uma amiga “O ser humano é perfectível. Seremos mais humanos se formos unânimes naquilo que valha a pena. A melhor forma de vencer a unanimidade burra é participar da unanimidade inteligente” e isso significa respeitar as diversas visões de uma dinâmica opinativa!









