Em um mundo onde a produtividade é frequentemente priorizada, surge uma discussão relevante: como equilibrar essa pressão com a saúde mental dos trabalhadores? O filósofo coreano Byung-Chul Han e o psicólogo brasileiro Sigmar Malvezzi oferecem perspectivas valiosas sobre essa questão.
Han, na publicação “A Sociedade do Cansaço e a tola ilusão de que todos estão felizes o tempo todo” considera a sociedade contemporânea como uma superação da “sociedade disciplinar” descrita pelo filósofo francês Michel Foucault, onde os indivíduos se sentem constantemente observados e influenciados. Ele chama essa nova realidade de “Sociedade do Desempenho”, onde todos buscam ser aceitos socialmente. “A sociedade de hoje não é mais o mundo disciplinar de Foucault”, afirma Han. “Ela foi substituída por um regime onde o desempenho é a norma”.Conclui.
Essa busca incessante pela excelência gera um novo tipo de depressão. O indivíduo não está isolado, mas sim excessivamente conectado e ativo. “Ele se torna seu próprio servo, subjugado pelo seu potencial produtivo”, explica Han, que alerta para o surgimento de doenças como a Síndrome de Burnout, resultado do excesso de positividade e produtividade.

Malvezzi, por sua vez, no artigo: “Produtividade versus saúde mental do trabalhador?” analisa a atuação dos psicólogos nas empresas. Ele aponta que a contratação desses profissionais varia entre organizações: “Os psicólogos atuam de forma heterogênea, dependendo do entendimento das empresas sobre o que esperam deles”. Ele enfatiza que a saúde mental dos trabalhadores muitas vezes é sacrificada em nome da produtividade. “Precisamos lembrar que a produtividade não pode ser o único objetivo”, alerta.
Ambos os autores concordam que a reflexão crítica é vital. Para Han, é necessário retornar a um cansaço consciente, recuperando-se após períodos de trabalho intenso. “Evitar o apelo urgente do mundo é fundamental”, afirma. Já Malvezzi ressalta que o fracasso deve ser visto como uma oportunidade de aprendizado. “O fracasso é um fato extremamente relevante como um fato pedagógico”, conclui.

Reflexões para o trabalhador
Com a análise dos autores, é possível concluir que o trabalhador precisa buscar equilíbrio entre as exigências profissionais e o cuidado com a saúde mental. Para isso, é importante desenvolver autoconhecimento, reconhecer limites e entender quando é necessário pedir ajuda. Manter uma comunicação aberta com a equipe, organizar melhor o tempo, definir prioridades e reservar momentos de descanso também contribuem para mais produtividade e bem-estar. Caso o estresse esteja afetando a rotina, procurar apoio psicológico pode ser fundamental.
Dica Prática: De acordo com os especialistas, se você se sente pressionado pela produtividade, considere buscar apoio psicológico para encontrar um equilíbrio saudável entre suas responsabilidades e seu bem-estar. A saúde mental é essencial para um desempenho eficaz e sustentável no trabalho.
Ao refletir sobre a sociedade do desempenho e suas implicações, é importante lembrar que, como diz Han, “procurar novidade em tudo, menos em si mesmo, é o seu erro rotineiro.” Portanto, valorizar a jornada da vida pode ser um antídoto poderoso contra a exaustão e a pressão do dia a dia.










