12 de Novembro de 2019
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Não basta só vestir a camiseta

( *) SERGIO VIEIRA

No último domingo, 18, foi destacado como o Dia Nacional de Combate a Exploração e Abuso Sexual. O dia 18 de maio é ressaltado há vários anos como sendo de luta contra uma prática odiosa e nojenta que, infelizmente, ainda está presente na sociedade brasileira - e por que não dizer, mundial. Jovens são exploradas sexualmente, assim como são submetidas ao abuso sexual no interior de suas casas.

Diante disso, na última sexta-feira, 16, na Prefeitura Municipal, os mais diferentes segmentos representativos da sociedade participaram de um evento para marcar a data, quando a rede, grupo de entidades que lutam contra esta prática na cidade, apresentou o trabalho que é desenvolvido e os mais diversos eventos com o objetivo de combater esta prática. A reunião das mais diferentes entidades merece ser ressaltada. Na oportunidade, vários políticos usaram a camiseta rosa da campanha e foi anunciada pelo Departamento de Comunicação da Prefeitura uma série de atividades para que a população denuncie o abuso e exploração sexual. Serão afixados out-doors e outros instrumentos de comunicação pela cidade com este objetivo.

Porém, é importante ressaltar que todo este esforço merece aplausos, mas não basta apenas vestir a camiseta rosa da campanha imaginando que o problema será automaticamente resolvido. Não só o de abuso e exploração sexual, mas o uso incontrolável de drogas por crianças e adolescentes, assim como o crescimento de jovens que deixam a escola, dentro do que chamamos de "evasão escolar".

Caso a Prefeitura Municipal não adote políticas públicas para crianças e adolescentes em Assis, tudo isso é em vão, principalmente porque daqui a 10 ou 15 dias esta questão acaba caindo no esquecimento. Digo isso por experiência própria por ter participado de outros "18 de maios" com a discussão de vários problemas relacionados a esta área e depois nada foi colocado em prática.

A falta de políticas públicas em Assis para esta área é simplesmente necessária e projetos neste sentido deveriam estar funcionando há algum tempo. Discursos são bonitos, entretanto, na prática isso não leva a nada. Palavras são levadas pelo vento. Enquanto não houver projetos sérios em bairros problemáticos como Vila Progresso, Parque Colinas e Complexo Prudenciana, diariamente teremos jovens sendo apreendidos por tráfico e porte de drogas, ou mesmo, meninas em situação de prostituição.

Quando digo políticas públicas são aquelas que realmente levam o jovem a não ser cooptado pelo tráfico ou pela criminalidade e vislumbrar algo positivo em suas vidas. Caso contrário, tudo em vão. Senão, jovens serão cooptados diariamente na Progresso, Prudenciana ou Colinas pelo tráfico de drogas, ou mesmo preferindo ir para a criminalidade ao freqüentar uma escola. Projetos como um parque olímpico e cultural nestes bairros são extremamente necessários. Não vai dizer que não há dinheiro porque que é possível conquistá-los junto aos ministérios em Brasília ou mesmo através de ações governamentais no Estado. Projetos como um CAPS/AD ou clínicas especializadas para recuperação de drogaditos já passaram da hora de Assis contá-los.

Usar apenas uma camiseta rosa denunciando uma situação deplorável e ficar de braços cruzados não vai mudar a situação. Vai ficar igual até o próximo dia 18 de maio quando novos eventos denunciarão estas mazelas que atingem a cidade.

(*) Sergio Vieira é conselheiro tutelar

Sérgio Vieira
é jornalista
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