12 de Dezembro de 2018
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Incentivo ao esporte amador é oportunidade para atletas de todo país

Projetos de incentivo a prática esportiva encontram novos talentos e atuam no combate à violência e criminalidade

Os melhores atletas do Brasil vieram da periferia e através da participação em projetos sociais destinados às crianças carentes. De acordo com o levantamento realizado pela Universidade de São Paulo (USP) para avaliação socioeconômica dos esportistas 90% pertenciam à classe baixa.

Para as crianças que moram em bairros carentes, o incentivo e a prática esportiva são muito importantes e atuam inclusive como um sistema educacional na prevenção contra a violência e a criminalidade.

O futebol e o futsal são, para muitos jovens, uma das poucas oportunidades de lazer no bairro em que moram. Graças aos centros esportivos patrocinados por empresas, ONGs ou membros da própria comunidade, é possível aprender o esporte e dar oportunidade para futuros craques.

Por que é importante incentivar a prática esportiva?

Desde 2016 o Governo Federal Brasileiro e o Ministério do Esporte, colocaram em vigor o programa chamado "Futebol para Todos”.

A proposta é utilizar o futebol, uma das práticas esportivas preferidas dos brasileiros, como uma ferramenta contra a alta taxa de criminalidades nas periferias do país.

O projeto é voltado para cidades com mais de 20 mil habitantes que se encontram na escala de vulnerabilidade econômica. Os resultados foram bastante otimistas, logo na primeira etapa em 2016 já beneficiou 10 mil atletas, tendo como objetivo favorecer cerca de 100 mil jovens.

Os talentos do futebol são de origem de populações carentes, além de combater a criminalidade, o "Futebol para Todos” é uma porta para detectar os futuros craques do Brasil e dar oportunidade para novos talentos.

Além das quadras e a parte estrutural para os treinos, o projeto também irá disponibilizar para os municípios os equipamentos esportivos como chuteiras, bolas, uniformes, troféus e até transporte gratuito para participação dos jogos. Alguns municípios já participam da ação, como: Botucatu (SP), Santo Ângelo (RS), Rio Pardo (RS), Oswaldo Cruz (RS) Novo Horizonte (SP) e outros estados.

Das peladas na rua para campeonatos mundiais

Torneios de futebol acontecem de forma amadora nas mais diversas cidades do Brasil. É nessas competições que seguidamente são "garimpados" os futuros craques dos grandes times de futebol. Muitas vezes, até campeonatos de várzea revelam muitas novas promessas, como aconteceu com o centroavante Damião, destaque do Internacional, com o qual foi campeão da Copa Libertadores em 2010 e destaque no último campeonato Brasileiro pelo time gaúcho. Antes de ganhar oportunidade na Seleção Brasileira com o técnico Mano Menezes, em 2011, o jogador defendeu o ‘Família Tupi City’ e o ‘Nós Travamos’ do Jardim Ângela, além do Estrela da Saúde, do Jardim Aracati, bairros da periferia de São Paulo.

Muitos destes destaques que são peneirados em campeonatos amadores chegam aos grandes clubes ainda em tenra idade e passam a integrar as equipes de base e participam de outras competições que são a porta de entrada para os times profissionais, como a Copa São Paulo de Futebol Júnior. A Copinha, maior competição de futebol masculino sub-20 do Brasil, organizada pela Federação Paulista de Futebol (FPF) e que inclui clubes de todo o Brasil, é uma competição bgem democrática pois reúne clubes de todo país e chega a localidades do interior brasileiro, como é o caso da cidade de Assis, que vai sediar jogos da Copinha 2019.

Outra revelação que veio das disputas amadoras, é a cearense Amanda Lyssa, a Amandinha, como carinhosamente é chamada pelas companheiras do Bartateiro, time de futsal de Brusque, interior de Santa Catarina. Desde criança, a futura craque do futsal, era serelepe e, na contramão das meninas da sua idade, não gostava de brincar de boneca, mas de jogar uma ‘pelada’ com os garotos na pracinha perto da sua casa. Em 2014, a jogadora foi uma das estrelas do campeonato feminino de futsal, autora do gol da vitória e considerada a melhor em campo. Amandinha teve a oportunidade em 2011 ao ser convidada pelos dirigentes do Barateiro, time catarinense.

A atleta que começou nas peladas quando ainda era criança é considerada hoje uma das principais jogadoras do time e participa de campeonatos mundiais.

Assim como Amandinha e Damião, muitos atletas ganham uma chance na vida em um torneio amador. Várias cidades no Brasil participam de campeonatos de futsal e levam a sério o esporte. A equipe Assis Futsal, recentemente goleou o time Piedade por 8 a 0 no ginásio da USP em são Carlos.

Medalha de outro nas Olimpíadas de 2016 teve origem em projeto social

A lei de incentivo ao esporte foi essencial para a conquista da atleta Rafaela Silva em 2016. A judoca trouxe medalha de ouro para o Brasil e em sua trajetória no esporte contou com o apoio do Instituto Reação da comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

O Incentivo ao Esporte pode ser realizado tanto pelas ONGs, como também empresas e pessoas jurídicas que desejam contribuir. Pessoas físicas que fazem declaração do Imposto de Renda podem abater 6% do imposto ao contribuir com projetos aprovados pela Lei de Incentivo ao Esporte. Já as empresas serão tributadas pelo lucro real e podem deduzir até 1%.

Além dos benefícios fiscais, investir no esporte é um ato altruísta e social para benefício de toda a população, principalmente para aqueles que mais precisam. Além do apoio ao futsal e futebol, existem inúmeros projetos aprovados pelo Ministério do Esporte espalhados por todo o Brasil.

Alguns exemplos de projetos de esportes renomados no país é o Instituto Barrichello em São Paulo. O projeto da associação, que foi criada pelo ex-piloto brasileiro Rubens Barrichello, capta crianças em situação de vulnerabilidade que possuem o sonho de se tornar piloto de fórmula 1.

Outro craque dos projetos sociais é Ademir da Guia, grande ídolo da torcida palmeirense nos anos 60 e 70. O meia de grande habilidade, que marcou 154 gols pelo atual campeão brasileiro, é autor do projeto chamado Instituto Ademir da Guia dedicado ao incentivo à prática esportiva em bairros carentes da cidade de São Paulo.

Assim como estas belas histórias de superação, várias outras acontecem diariamente em nosso enorme e tão desigual país. Felizmente, muitas pessoas e empresas, conscientes do seu papel social, trabalham em prol dos menos favorecidos oferecendo verdadeiras oportunidades de vida.


O futebol e o futsal são, para muitos jovens, uma das poucas oportunidades de lazer no bairro em que moram


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