A ambulância de Unidade de Suporte Avançado (UTI Móvel) destinada a Assis por meio do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Governo Federal, vai completar um ano no município sem ter sido utilizada no atendimento à população.

O veículo foi entregue no dia 14 de março de 2025, em uma cerimônia realizada na cidade de Sorocaba que contou com a presença da prefeita Telma Spera, do vice-prefeito Alexandre Cachorrão, da secretária municipal de Saúde Amanda Maílio, do chefe de gabinete Vinícius Símili e da coordenadora do SAMU, Daniela Alvarez Batista, além do vereador Reinaldo Nunes (Português).

A nova viatura só chegou oficialmente a Assis em 31 de março do mesmo ano e, desde então, não entrou em operação. De acordo com informações apresentadas na Câmara Municipal, a ambulância registra cerca de 500 quilômetros no marcador — distância correspondente ao trajeto entre a fábrica, em Sorocaba, e Assis — sem ter rodado sequer 1 km em atendimentos dentro da cidade.

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A unidade integra um pacote federal que contemplou 559 municípios com mais de 700 ambulâncias em todo o país, sendo 86 Unidades de Suporte Avançado distribuídas em 72 cidades brasileiras, entre elas Assis.

Na ocasião da entrega, a prefeita Telma Spera compartilhou um vídeo nas redes sociais ao lado do vice-prefeito Alexandre Cachorrão, destacando a importância do novo veículo para o atendimento. “Estamos muito felizes porque estamos recebendo uma viatura que vai compor a frota do nosso SAMU em Assis e que serve aos 12 municípios da região do Vale do Paranapanema”, afirmou na época.

Prefeita Telma Spera ao lado da secretária municipal de Saúde, Amanda Maílio – FOTO: Redes Sociais/Arquivo

O vice-prefeito também agradeceu ao ministro Alexandre Padilha e ao Governo Federal pela destinação da ambulância, ressaltando que o veículo reforçaria a estrutura da saúde no município.

Funcionamento depende de rateio

Após a chegada do veículo, a Prefeitura de Assis teria feito a doação da ambulância ao Consórcio Intermunicipal do Vale do Paranapanema (CIVAP), atualmente responsável pela gestão regional do SAMU, atendimento realizado de forma consorciada que atende 12 municípios do Vale do Paranapanema.

Como se trata de uma Unidade de Suporte Avançado, a ambulância não pode substituir outra já existente na frota. Ela precisa funcionar como acréscimo de serviço, com equipe completa 24 horas por dia — médico, enfermeiro e condutor — além de custos com combustível, seguro e manutenção.

O custo estimado para manter a unidade em funcionamento gira em torno de R$ 2 milhões por ano com contra partida de cerca de R$600 mil do Governo Federal ou aproximadamente R$ 130 mil por mês. De acordo com apuração feita pelo Portal AssisCity, esse valor precisaria ser dividido entre os municípios integrantes do consórcio.

Cobrança na Câmara Municipal

Quase um ano após a entrega, o assunto voltou ao debate público. Na sessão da última segunda-feira, 23 de fevereiro, o vereador Reinaldo Nunes (Português), utilizou a tribuna da Câmara Municipal para cobrar providências. “Precisamos colocar em funcionamento a ambulância do SAMU que chegou em Assis há um ano e não andou 1 km até o momento. Hoje fui lá ver a viatura, olhei no marcador, tem 500 e poucos km. Foram os quilômetros de deslocamento da fábrica em Sorocaba até Assis. Aqui não andou 1 km”, afirmou.

O parlamentar declarou ainda que o veículo permanece guardado. “Da prefeitura até a Secretaria da Saúde não dá 1 km e está lá guardada até hoje. Enquanto isso, pacientes precisando de ambulância, vítimas de acidente precisando de ambulância. Precisamos colocar um ponto final e colocar essa ambulância para rodar.”

Ele também questionou os motivos da paralisação. “Se o problema é o CIVAP, se o problema é falta de recurso, vamos nos reunir, porque é inconcebível uma viatura de meio milhão de reais continuar parada em nossa cidade e pessoas precisando dessa ambulância.”

Reunião deve ser articulada

Assim que assumiu a presidência do Civap Saúde em janeiro de 2026, o prefeito de Pedrinhas Paulista, Freddie Nicolau, já colocou o assunto em pauta nas primeiras reuniões. Na tarde desta segunda-feira, ele informou ao Portal AssisCity que está articulando uma reunião com Assis e os demais municípios da região para que somem esforços na busca de uma solução que viabilize o funcionamento da ambulância.

A reportagem também entrou em contato com a Prefeitura de Assis para questionar se há previsão de acordo para o rateio, se existe risco de o município perder o veículo e quantas ambulâncias estão atualmente em operação na cidade.

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