Uma anta (Tapirus terrestris) adulta, fêmea, está recebendo tratamento intensivo na Associação Protetora de Animais Silvestres (APASS), em Assis, após ser resgatada em estado grave em Teodoro Sampaio, na região do Pontal do Paranapanema. O animal foi localizado debilitado e com ferimentos graves na noite do dia 21 de agosto, em um açude cercado por canavial, por brigadistas do Parque Estadual Morro do Diabo em conjunto com a Polícia Militar Ambiental.
A ação contou com apoio da Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que forneceu caminhão e motorista para garantir o transporte até Assis, a cerca de 180 km de distância. O animal chegou à APASS na noite de 22 de agosto.
Segundo a entidade, a anta apresenta queimaduras de 1º, 2º e 3º graus em cerca de 70% do corpo, além da perda total da visão e comprometimento de uma das orelhas. Apesar da gravidade, ela tem se alimentado e bebido água por conta própria, o que é considerado um sinal positivo pela equipe.
A suspeita é de que as lesões tenham sido provocadas por um incêndio registrado em 17 de agosto na região do Parque Estadual Morro do Diabo, o único foco de grandes proporções registrado no mês. Com isso, estima-se que o animal tenha permanecido pelo menos cinco dias ferido, até conseguir chegar ao açude onde foi encontrado.
Este é o primeiro caso oficialmente notificado em 2025, em São Paulo, de um animal silvestre vítima de incêndio florestal atendido por um centro credenciado pelo Governo do Estado.
Na região de Assis, os incêndios também se intensificaram em agosto. Apenas no último fim de semana do mês, foram registradas ao menos três ocorrências, duas delas na cidade. Na sexta-feira, 29 de agosto, um incêndio classificado pela Defesa Civil como criminoso destruiu dois alqueires de mata atrás do Centro Social Urbano, colocando em risco moradores e animais da área.
A entidade reforça a necessidade de conscientização sobre os incêndios florestais, que, além de comprometerem o meio ambiente, colocam em risco direto a sobrevivência de espécies ameaçadas, como a anta brasileira, considerada vulnerável à extinção.










